Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Já é dono do seu banco?

Provavelmente é num certo sentido, embora não saiba.

É sabido: o ganho é proporcional ao risco. Quanto maior o risco assumido, mais rentável o investimento.

SIC Notícias, Jornal das nove (21H00) de hoje: desta vez deixei passar o nome do convidado de Mário Crespo, um economista que falou como poucos.

Eis o aspecto que mais me chamou a atenção: a indexação do crédito hipotecário à taxa do Euribor é uma prática da banca portuguesa, que não serve de exemplo para os demais países europeus.
A taxa do Euribor é uma taxa de risco. A sua utilização no crédito para aquisição de casa própria representa a transferência para os clientes do risco que os bancos incorrem nas suas aplicações financeiras. Esses riscos deveriam estar reservados aos accionistas e credores do banco. Partilhando os portugueses - enquanto clientes - desses riscos, ganha uma realidade surpreendente o mote do anúncio do Montepio Geral. Eis mais uma falha grave a constar no cadastro já pesado de Vitor Constâncio, formalmente exercendo o papel de regulador do sector. Eis mais uma lacuna legal altamente explorada a favor dos accionistas em geral e em detrimento de todos os que vivem do seu trabalho. Mais uma prática tipicamente terceiro-mundista.

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2 Comentários:

At 23:30, Blogger JC disse...

Olá Amigo!
Aí, pelo mundo, encontrei uma referência ao seu blog e li este post.
Gostaria de lhe dizer que, em tese, estarei de acordo consigo. Quanto à afirmação sobre o "exemplo para os demais países europeus" já ponho as minhas dúvidas sobre as fontes do dito economista.
A Euribor é uma taxa, apurada por leilão e utilizada nas trocas entre os bancos "centrais" europeus.
Apesar de tudo há, em Portugal e não só, bancos que praticam taxas não indexadas e até (para os mais expert)taxas fixas até 30 anos (durante o prazo fixado "nem que chova" e enquanto se mantiverem as vontades de ambas as partes, a taxa não muda.)
Os bancos (até o MG) têm um único objectivo: o lucro!
Veja-se a "nossa" CGD ("nossa" sim, o capital é 100% do Estado, parte dos lucros vai para o OGE) cobra como os demais (ou mais...).
Outro (mau?)exemplo: o banco do Vaticano, afinal, não praticamos a teoria?
São casas de comércio que disputam o mercado.
É por isso que eu acredito no funcionamento dos mercados e na livre concorrência.
Se o preço fosse fixado administrativamente, bastava-nos a Caixa e lá se ia o BCP para a Roménia e tinhamos de sustentar o Vara e Cª no fundo de desemprego.
Abraços do
Jotacê

 
At 22:50, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Caro JC
Antes do mais, obrigado pela sua visita e mais ainda pelo comentério que teve a amabilidade de deixar.
Não sou economista: assim, as impressões aqui expressas são de um observador externo. Se o economista achou estranho a banalização do índice Euribor no crédito hipotecário, eu partilho essa estranheza. Sei que os bancos também usam a taxa fixa, mas com tanta brutalidade que mais parece a maximização de todas as taxas variáveis. Se eu possuisse activos e tivesse capacidade de equacionar questões de rentabilidade de investimentos, faria sentido sujeitar-me aos riscos inerentes. A situação não me parece aplicável a um empréstimo hipotecário em que o risco do Banco está reduzido por garantias (pede-se avaliações prévias, fiadores, etc).
De um ponto de vista de justiça, a vontade dos contratantes prevalece. Porém a informação que as duas partes possuem sobre a matéria é muito desigual (em geral, a não ser que todos os devedores sejam também especialistas em finanças). Não defendo que a taxa fosse fixada legalmente, apenas que o estado realize a sua parte na defesa da equidade, não deixando que, por exemplo, aqueles que não são investidores estejam a suportar os riscos que caracterizam esta actividade específica.

 

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