Em nome de Portugal

Exijo o conhecimento e o reconhecimento público da História nacional, desde o início do século XX e até aos nossos dias. Já não é admissível que, em nome de uma dogmática perpétuamente transitória, de cariz supostamente anti-fascista e alegadamente anti-colonialista, se procure eternizar a superioridade dos políticos actuais e das políticas contemporâneas sobre os titulares políticos do passado e a sua condução das políticas nacionais e internacionais.
Os orgulhosos republicanos de hoje, que acusaram o regime anterior ao 25/4 de intransigência no reconhecimento do direito à independência das antigas colónias, erguem ao altar os garbosos republicanos de ontem, que acusaram a monarquia de ceder aos britânicos os territórios do mapa cor-de-rosa.
Os nossos políticos cor-de-rosa, que não sabem esgrimir as suas virtudes sem ser a trocar acusações à volta do défice, que não sabem governar uma câmara sem ser a pedir empréstimos para pagar empréstimos, preferem chamar nomes aos políticos do passado, do que estudar e aplicar a maneira como eles conseguiram sanear as contas públicas, credibilizar a economia e impor a moeda nacional a nível externo.
E tudo isso sem enganar ninguém: não prometeram a liberdade, mas ofereceram a segurança, que era o que as populações desejavam acima de tudo o resto. Hoje, promete-se a liberdade, e tira-se a segurança. Antigamente não havia eleições, mas hoje em dia as populações não só se recusam a exercer o seu direito de voto, como ainda invocam essa recusa como a única maneira que lhes resta para tentar colocar os políticos na ordem.

Em nome de Portugal, abandone-se de uma vez por todas, o estigma ridículo do regresso ao passado, e estude-se sem preconceitos, tudo o que de melhor e de pior ocorreu no século XX, independentemente dos titulares dos cargos públicos.
Porque feitas as contas, nenhum dos políticos que temos agora, conseguiu vencer o défice das contas públicas como aquele que é mais atacado por todos eles, e sem recorrer a qualquer ajuda externa.

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