Terça-feira, Dezembro 04, 2007

Em nome de Portugal

Exijo o conhecimento e o reconhecimento público da História nacional, desde o início do século XX e até aos nossos dias. Já não é admissível que, em nome de uma dogmática perpétuamente transitória, de cariz supostamente anti-fascista e alegadamente anti-colonialista, se procure eternizar a superioridade dos políticos actuais e das políticas contemporâneas sobre os titulares políticos do passado e a sua condução das políticas nacionais e internacionais.
Os orgulhosos republicanos de hoje, que acusaram o regime anterior ao 25/4 de intransigência no reconhecimento do direito à independência das antigas colónias, erguem ao altar os garbosos republicanos de ontem, que acusaram a monarquia de ceder aos britânicos os territórios do mapa cor-de-rosa.
Os nossos políticos cor-de-rosa, que não sabem esgrimir as suas virtudes sem ser a trocar acusações à volta do défice, que não sabem governar uma câmara sem ser a pedir empréstimos para pagar empréstimos, preferem chamar nomes aos políticos do passado, do que estudar e aplicar a maneira como eles conseguiram sanear as contas públicas, credibilizar a economia e impor a moeda nacional a nível externo.
E tudo isso sem enganar ninguém: não prometeram a liberdade, mas ofereceram a segurança, que era o que as populações desejavam acima de tudo o resto. Hoje, promete-se a liberdade, e tira-se a segurança. Antigamente não havia eleições, mas hoje em dia as populações não só se recusam a exercer o seu direito de voto, como ainda invocam essa recusa como a única maneira que lhes resta para tentar colocar os políticos na ordem.

Em nome de Portugal, abandone-se de uma vez por todas, o estigma ridículo do regresso ao passado, e estude-se sem preconceitos, tudo o que de melhor e de pior ocorreu no século XX, independentemente dos titulares dos cargos públicos.
Porque feitas as contas, nenhum dos políticos que temos agora, conseguiu vencer o défice das contas públicas como aquele que é mais atacado por todos eles, e sem recorrer a qualquer ajuda externa.

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2 Comentários:

At 14:09, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Calma aí, Zé. Já andas esquecido de alguns expedientes usados. Ademais, por muito que não gostes, Sócrates está mais bem colocado para falar em nome de Portugal. Mas também não é vergonha nenhuma falar-se em nome próprio.

 
At 14:39, Blogger José Ferrão disse...

Desculpa mas a História não pertence ao governo. E depois, não pedi nada para mim. Se foram cometidos erros, todos estamos a pagar por eles. E se "o outro" conseguiu sanear as contas públicas sem pedir empréstimos, sem acusar o PM anterior e sem ajudas da europa, todos nós temos o direito de saber como é que o problema foi resolvido para não precisarmos de inventar a roda de cada vez que se fura um pneu.
Sócrates pode estar bem colocado para falar em nome de Portugal, mas só perante não-portugueses; e mesmo assim saem asneiras como a que se viu no artigo anterior, citado por "el país".
Perante os portugueses, a situação é muito mais clara: há aqueles que fazem as asneiras, e há aqueles que pagam as asneiras que os outros fazem ...em nome de Portugal.

 

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