O reverso da medalha
Volto-me para o quadro, de giz na mão, atentamente, para seguir o fio condutor da minha exposição, sempre preocupada com o melhor desempenho possível... sempre preocupada com os meus jovens, que sinto quase meus filhos, na ânsia de eles apreenderem o máximo de modo a poupar tempo... querendo que eles todos tenham êxito, mais tarde, na vida... que eles a sintam leve, que compreendam melhor o mundo em que os puseram...
- pois, a quantidade de movimento... é uma grandeza vectorial porquê?
...escrevo uma expressão matemática, aguardo uma resposta... e ela veio, sim, mas não a que esperava! TRÁS! e TRÁS! Um som arrepiante.
Volto-me e vejo dois matulões de 17 anos, maiores do que eu, em pé, em posição de ataque, um deles com a cara toda vermelha, resultado do bofetão recebido...
Digo qualquer coisa, e mais outra, procuro acalmar-me porque a eles era impossível.
Consegui que saíssem. Não oiço mais nada... "Drª, Drª, deixe-me ir lá fora, que eles ainda se matam"... entendi.
Estas palavras longínquas fazem-me retornar ao local de que faço parte. Deixei sair.
-Sabe? foram uns papéis que o X atirou ao Y!
E eu pesada , letárgica, não consegui perceber ... aquilo não era motivo.
-Saiam todos, por favor.
Retiro um papel qualquer, esboço uma participação, marco 2 faltas disciplinares e fico parada a pensar que ninguém me respondeu à questão colocada:
-A quantidade de movimento é uma grandeza vectorial porquê?



4 Comentários:
Penso que a resposta, encontra-se na discussão do orçamento de estado que está agora a ser votado.
Diz o governo, que conseguiu tirar da rua, para devolver às escolas não sei quantos milhares de vadios que andavam a picar carteiras às senhoras.
Não disse, mas nós sabemos quantas centenas de escolas é que fecharam, no mesmo período.
Não sei ao certo quantos foram os milhares de professores que foram tirados das escolas, com as reformas deste governo.
Sabemos sim, e muito bem que a carga horária que passou a ser exigida aos professores que ficaram nas escolas, aumentou de tal maneira que as reuniões intercalares que estão a decorrer em Novembro já não cabem, nem na componente lectiva nem na componente não lectiva.
Ou seja, são horas que são roubadas às famílias, incluindo os filhos em idade escolar, e tudo isso sem um único cêntimo de actualização salarial.
Tire-se a prova dos noves, de tudo o que ficou dito atrás, e aí está o resultado.
Muita sorte, enquanto não são os professores a fazer a limpeza das salas, porque entretanto o pessoal não docente também foi reduzido para metade.
Sei de uma escola, onde a única empregada que enfrentava os badamecos e não tinha medo de levar nas trombas, foi posta na rua porque ... não tinha o 9º ano!!!
Aí estão as novas oportunidades em pleno funcionamento.
Esta mensagem foi removida pelo autor.
A quantidade de movimento é uma grandeza vectorial porque tem uma direcção (linha recta que unia o aluno x ao y), um sentido (da mão do x para a cara vermelha do y) e um enorme comprimento... uma grande seta proporcional à vontade que ambos tinham de estar ali.
E já agora: O papel foi um pretexto.
Sorride que amanhana voltas lá.
:)
TRÁS! e TRÁS! Um som arrepiante
O som da rua a entrar para dentro da sala de aula.
Toda a gente se indigna quando os professores fazem uma manif, mas estes têm que aturar a rua nesses, e em todos os restantes dias.
Os psiquiatras, já há muito que resolveram o problema deles: drogam os malucos, mandam-nos para a rua e a ministra empurra-os para a escola. A segurança social, paga-lhes o almoço desde que seja na escola.
E aqueles que querem aulas mais a sério, que procurem outra solução.
Depois, lá estarão os rankings para ver afinal quem é que trabalha e quem é que são os preguiçosos.
Na idade adulta, há as instituições sociais (onde se incluem as prisões) e há as instituições laborais (onde a rua não penetra).
Na idade escolar, há a escola e nada mais.
E depois, há aquela idade dos 15-25 anos que se teima em empurrrar para a escola, mas sem a contra-partida da assistência social.
O resultado: em vez da educação se estar a alargar para todos, está-se a retirar às crianças o seu direito à educação.
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