Quinta-feira, Novembro 22, 2007

Joël Perino - Os professores e a riqueza

Crescimento PIB França

Ambos eram professores primários. Chamá-los-emos Aimée e Alberto. Começaram as suas carreiras pouco depois da 2ª Guerra. Em 1950 instalaram-se finalmente na mesma cidade. Por volta de 1955 compraram o seu primeiro carro, um Simca. No Verão foram acampar com os seus três filhos. Na cidade onde viviam, eram pessoas tão importantes como o padre e o presidente da Câmara. Habitavam uma residência reservada ao seu estatuto. Chamavam-nos: O casal de regentes. Se um gaiato era castigado, tentava a todo o custo impedir que os seus pais tomassem conhecimento, com medo de um segundo castigo do pai. Alberto reformou-se aos 55 anos, mantendo-se por algum tempo como secretário da Câmara. Não por neceesidade, mas por satisfação. Pelos seus três filhos, Aimée pode reformar-se mais cedo, aos 52 anos. Com as suas economias, compraram um bom apartamento. A reforma era confortável e passaram a viajar com outros sócios do clube dos antigos professores.

Se atribuirmos o valor 200 ao Pruduto Interno Bruto da França em 1948, obtemos, a preços constantes (francos), cerca de 1500 em 2004. Ou seja, segundo o Institut National de la Statistique et des Études Économiques, um crescimento da riqueza de cerca de 750% ou até mais.

Foi precisamente em 2004 que Alexia e Antoine começaram as suas carreiras de professores. Hoje ganham 3300 euros e pagam 1050 euros de renda de casa além de uma boa parte do salário à creche dos seus dois filhos. Têm um Scenic de ocasião e um Twingo apodrecido. António faz 80 kilómetros por dia e Alexia 30. Hesitam em prolongar as saídas de férias. Aguardam por uma colocação na mesma cidade. Interrogam-se sobre a possibilidade do terceiro filho. A muito custo conseguem pôr algum dinheiro de lado. Ainda não estão no inferno, mas já não estão no paraíso. O pior é a falta de consideração. Quando um gaiato é castigado, não raro os pais vêm sacar-lhes explicações, exibindo sem pudôr o seu nível de vida superior. Antoine reformar-se-á, no melhor dos casos, aos 60 anos e Alexia um pouco antes. Isto, se tudo correr bem e os seus contratos não foram unilateralmente renegociados.

Há dias que Antoine e Alexia se questionam: Para onde foi toda esta riqueza? Esta bela multiplicação do Produto Interno Bruto por 7,5? Porque razão se esgotam tanto, quando os seus avós foram tão bem sucedidos? Que sociedade é esta que trata os seus professores de forma tão impiedosa?

Fonte: JoëlIP,
Richesse
publicado por Dernières nouvelles de l'homme a 21 de Novembro de 2007

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