Quinta-feira, Outubro 25, 2007

José Adelino Maltez - os donos do europês

..."breves aforismos conspiradores" ... por quem sempre se assumiu como "um tradicionalista que detesta os reaccionários", e que "para ser de direita, tem de assumir-se como um radical do centro..." (José Adelino Maltez)José Adelino Maltez

Apenas noto como os donos do europês começam a decretar que os defensores do referendo são uns perigosos anti-europeístas, só porque os engenheiros e arquitectos da super-estrutura institucional do OPNI (objecto político não identificado, na definição de Jacques Delors) querem que as regras processuais do mesmo sejam superiores às manifestações de comunhão dos cidadãos e à própria ideia de Europa como instituição. Por outras palavras: querem tapar com a peneira das cimeiras de chefes de Estado e de governo, precedidas pelas reuniões do PPE e do PSE, o sol das liberdades nacionais e a voz directa dos cidadãos. Querem que os conceitos se transformem em preceitos, nesta super-democracia sem povo que visa remediar as péssimas soluções da defunta convenção.

Desta forma, os grandes eurocratas correm o risco de lançar, para as garras do populismo anti-europeísta e para os manipuladores do descontentamento, segmentos fundamentais do eleitorado. O paradigma bismarckiano vencedor na cimeira do Mar da Palha, intrumentalizando a revolta gaullista do oui par le non, contra a Europa confidencial, gerou esta partidocracia global que corre o risco de levar os intermediários cimeiros das representações nacionais a perderem a legitimidade, embora mantenham a legalidade, nesse palco de abstracções, suceptível de se reduzir a mera teatrocracia de um império oculto.


Qualquer sondagem demonstra que a maioria dos povos europeus gostaria de pôr a funcionar a voz da Europa dos cidadãos, referendando os seus próprios destinos. A maioria dos seus governantes e comissários apenas quer conservar o poder pelo poder e chama a isso pôr a Europa a funcionar segundo o modelo dos Estados em Movimento. Para que os povos não venham a colocar inesperadas areias nas engrenagens, porque assim o murganheira poderia não fluir nas gargantas ao som de um restrito hino da alegria...

Fonte: José Adelino Maltez em Querem que os conceitos se transformem em preceitos...
publicado por Sobre o tempo que passa em 23 de Outubro de 2007

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6 Comentários:

At 22:33, Blogger Maria Lisboa disse...

"Estão fazendo de mim palhaço?" - acho que a frase era mais ou menos assim!


http://fliscorno.blogspot.com/2007/10/subvencoes-vitalicias-dos-titulares-de.html

 
At 22:33, Blogger Maria Lisboa disse...

Esta mensagem foi removida pelo autor.

 
At 23:17, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Maria Lisboa
Aqueles 1700 euros por mês como máximo, só depois de segunda opinião.

 
At 00:58, Blogger Maria Lisboa disse...

Creio que aquele máximo nem precisa de 2ª opinião! É um máximo tão mínimo, dado os valores que frequentemente vêm a público, que não é mesmo para ser considerado como real.

Penso que os povos da europa não colocariam uns simples grãos de areia. Seriam mais calhaus do que areias. As duas experiências que fizeram mostraram-lhes que o não seria uma constante e por isso os referendos foram de imediato guardados no fundo de uma qualquer gaveta.

Ah! Mas depois de tudo assinado teremos direito talvez possamos ter direito a poder dizer não! Que felicidade!!! ;)

 
At 23:07, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Maria Lisboa
Nem sempre me lembro à primeira de fazer contas simples.
Voltei ao fliscornoe dividi o total da despesa com as pensões (8,051 milhões de euros) pelo total de pensionistas (383) referentes ao ano de 2006. Depois dividi por 14 (julgo serem catorze prestações/ano) e o resultado é 1.501 euros, isto é, um valor abaixo do mínimo indicado (1574 euros). Mas quem sou eu para entender destes assuntos...

 
At 00:55, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Tanto os valores indicados como mínimo (ano de 2006) como máximo (ano de 2008) se referem a médias por pensionista, e correspondem a doze prestações por ano. Nada é adiantado sobre a variância, intervalo decil principal, desvio padrão ou qualquer outro parâmetro de dispersão. Devem ser segredos de estado. Nestas coisas, a única informação que nos é permitido conhecer é o que temos a pagar. Quanto a saber para onde vai o dinheiro, como é distribuído...

 

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