Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Fernando Sobral - O suicídio do Ministério da Educação

Fernando SobralDe reforma em reforma, a educação em Portugal aproxima-se do seu alegre suicídio. Mas a triste realidade deste sítio é que quem faz hara-kiri, após cada "revolução pedagógica" , é o próprio Minsitério da Educação. É simplesmente confrangedor ver ministros, uns após outros, anunciarem a reforma, e a estrutura adninistrativa servir-lhe o menu envenenado com que vão chacinando as escolas e o que lá se ensina. Cada reforma é a forma mais honesta de sucessivos ministros colocarem a sua cabeça no cadafalso. É curioso como o fazem, encaminhados pela administração que promete reformas pedagógicas e sistemas financeiros mais eficazes e baratos. É assim que, ano após ano, se fecham escolas, se coloca em causa a existência de faltas como meio disciplinar, se cria o mito das percentagens de sucesso escolar como se isso fosse símbolo de sapiência, se destroem disciplinas que questionam a sociedade (substituidas por outras de vulgaridades e de "educação cívica"), se colocam professores contra o Ministro, pais contra professores(como foram colocados como responsáveis da educação que não têm em casa) e alunos contra tudo e contra todos. Há um sinistro e sombrio grupo de gurus pedagógicos que têm, como eficiência estalinista, vindo a destruir a escola pública. Não é por acaso que o ensino privado é, nos "rankings", melhor que o público. É-o por muitas razões, mas também porque o Ministério da Educação vem, há anos, a disparar sobre o seu próprio parco neurónio. E depois derramam-se lágrimas de corcodilo.

Fonte: Fernando Sobral in
O suicídio da Educação
publicado pelo Jornal de Negócios em 31 de Outubro de 2007

Etiquetas: ,

2 Comentários:

At 12:41, Blogger José Ferrão disse...

Faço votos que ao defunto Ministério da Educação, depois de cometer o seu suicídio sucumbindo ao peso da sua própria lógica, venha um dia a suceder o Ministério do Ensino, que é afinal o que faz falta na justificação que os contribuintes esperam para os impostos que pagam.
Para a educação, lá estarão os próprios pais a educar cada filho à sua imagem e semelhança.
Para o ensino, venha o estado e faça aquilo que justifica a cobrança dos impostos.

Porque feitas as contas, desde que o ensino superior se separou do Ministério da Educação, o ministério nunca mais fez, nem educação nem ensino: limitou-se a fazer, ou melhor a experimentar reformas, sem nunca assumir a responsabilidade dos resultados das suas experiências.

 
At 14:03, Blogger Paulo G. disse...

Vou ver se ainda linko hoje este texto.

 

Enviar um comentário

<< Home


hits: