Terça-feira, Outubro 30, 2007

Espumante - Mainstream or not mainstream

Espuma da mente

O meu querido amigo que acredita nas virtudes rectificadoras do mercado e com quem troco agradáveis desinteligências espanta-se do meu esforço - coordenado, militante, activo e resistente - em divulgar opiniões de economistas, comparada com a bonomia com que ele próprio passa sobre o assunto.
Com o Partido Socialista a ultrapassar em desvario neoliberal tudo o que os partidos alegadamente mais à direita já haviam alguma vez ousado fazer; com o Banco Central Europeu a distorcer as regras do mercado (que, pelos vistos, só são duras para os trabalhadores) fabricando dinheiro às ordens dos bancos comerciais por mais inábeis que estes sejam na condução dos seus negócios; enfim, com a retaguarda de uma campanha dos meios de informação a servir os cidadãos com pestilências de auto-regulação do mercado, benefícios da livre concorrência enquanto se processa a concentração dos bancos, benefícios do ensino privado (financiado pelo Estado) contra o desorçamentado ensino público, se eu fosse liberal preferiria até estar calado.
Para quem não é, talvez nem reste outra hipótese além daquela que me aduziu. De facto, as coisas não são mesmo comparáveis.

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2 Comentários:

At 11:16, Blogger espumante disse...

Só um par de pequenas observações:
1 - Não disse, nem acho que, o Partido Socialista ande entregue a um desvario neo-liberal. O PS anda entregue à sua costumada acçao irresponsável de gestão da coisa pública e nada disto tem a ver com o liberalismo.
2 - Não percebo bem em que medida o Banco central Europeu anda a dsitorcer as regras do mercado, muito menos entendo porque é que, no ten entender, as regras do mercado só são duras para os trabalhadores;
3 - Muito menos atinjo em que medida as pestilências (!!!) da auto-regulação do mercado e os benefícios da livre concorrência contribuem para o sentido do teu post, tal como aliás a tal "desorçamentação" do ensino.
Resumindo , as linhas estão demasiado embaraçadas para eu perceber a coisa. Resta a grande questão. Ainda não percebi que caminho seguirias se porventura assumisses o poder. Como é que fazias para acabar com estas pestilências todas? E porquê e para quê?
Um abraço

 
At 00:32, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Caro espumante
Um par de contra-observações
1- A livre concorrência, como sistema económico, foi destruida ainda antes do fim do século XIX e não por qualquer acção revolucionária, antes pelo mecanismo de concentração financeira. Disso têm consciencia os actuais defensores do liberalismo, que se rebaptizaram de neo-liberalistas. Em essencia, confiam que o equilíbrio social é possível por simples observância das leis do mercado, não cabendo ao estado outro papel que não o de observador. O Partido Socialista tem feito o que pôde nesse sentido.
2 - A distorção acontece de todas as vezes que os accionistas são ressarsidos de perdas por simples fabrico de dinheiro.
3 - Os grandes meios de informação fazem uma chinfineira sobre a capacidade do mercado actuar como regulador económico, quando, nem na prática e, pelos vistos, nem à luz dos conhecimentos actuais da Economia, se poder confirmar esse papel regulador: daí chamar pestilência. A desorçamentação do ensino público é apenas uma das facetas da acção do actual governo na sua senda de entregar tudo a privados.
Ainda que se trate apenas de notas, crei que percebes mais do que declaras. De ouro modo sou eu então que não entendo o que afirmaste em tempos: que o Estado deve ser pouco mais que o guarda-nocturno.
Sabes bem que não tenho preparação para assumir o poder: nem filiado em partido sou. Mas confio no valor do conhecimento dos cidadãos e na sua capacidade de se organizar para que não se continue permanentemente a vender gato por lebre.
Obrigado pela visita e volta sempre.
Um abraço

 

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