Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Connors & Bingham - Conhece os teuos inimigos

Iraque
(clique sobre a figura para carregar o vídeo)


Uma sinopse do documentário filmado e em preparação, baseado em entrevistas com revoltosos iraquianos e realizado pelos directores da Meeting Resistance.

Senti um fogo no meu coração. Quando ocuparam o Iraque, subjugaram a mim, à minha irmã, à minha mãe; subjugaram a minha honra e o meu lar. Todas as vezes que os via, sofria. Eles rejeitaram-me. Assim, comecei a trabalhar.

Em 12 de Outubro, o general Ricardo Sanchez, anterior comandante das forças dos EUA no Iraque, foi notícia quando se juntou às fileiras dos políticos e pontífices que começaram por apoiar a guerra ao Iraque, mas que hoje declaram que a administração Bush é incompetente e converteu este empreendimento arriscado numa causa perdida.

Há limites para esta contenda.

A força da sublevação condenou a ocupação desde o início. Esta conclusão é baseada em inquéritos à opinião pública iraquiana feitos recentemente pela BBC e pela World Public Opinion - complementada por entrevistas a iraquianos feitas pela Meeting Resistance.

O guerrilheiro
Nos primeiros dois dias ainda sentíamos o ímpeto da guerra. Tirámos então partido deste momento. Pois, se tivéssemos esperado que a situação acalmasse e que todos se acomodassem, a resistência não teria aproveitado essa oportunidade.

O Iraque é o nosso lar, pertence-nos. Se não defendermos o Iraque, não defenderemos a nossa honra. Cada metro quadrado do Iraque merece a alma das nossas vidas. Cada metro quadrado merece o ar que respiramos.


A insurrecção é composta maioritariamente por iraquianos vulgares, não operacionais de Al-Quaeda ou membros do antigo regime.

Este grupo formou-se espontaneamente sob o manto do Islão. São engenheiros, oficiais, professores, pessoas normais, pessoas cultas. Uns têm instrução secundária, outros superior.
Todos são muçulmanos comprometidos, seguem as normas do Islão.

O professor
Antes destes acontecimentos eu não rezava. Nem sequer sabia o caminho da minha casa até à mesquita.

A maioria dos iraquianos não só se opõe à presença das forças da coligação no Iraque, como aprova a sua aniquilação física.

92% dos sunitas, 62% dos xiitas e 15% dos curdos aprovam os ataques feitos às forças de coligação conduzidas pelos EUA.

O guerrilheiro
À cabeça da lista dos alvos legítimos estão as forças militares que se encontram no Iraque. Estes são os mais importantes. Em segundo lugar estão aqueles que colaboram com os primeiros. Há alguns tradutores que ajudam as pessoas e o seu trabalho limita-se a explicar a situação. Mas também há
tradutores que agem contra as pessoas. Há polícias que fazem o trabalho normal de perseguirem gangs, proporcionando ordem e segurança, e estes deixamo-los em paz. Mas há também polícias que colaboram com os estado-unidenses. Como já lhe disse, as forças dos EUA, as forças de ocupação e os seus colaboradores que trabalham contra o povo iraquiano e contra os mujahedines. Esses são os nossos alvos legítimos.


De Abril de 2004 até Maio de 2007, uma média de 74% de ataques iraquianos significativos foram dirigidos contra as forças de coligação conduzidas pelos EUA. 16% foram dirigidos contra forças militares iraquianas e 10% contra alvos civis(segundo dados do Departamento de Defesa).

O professor
Mas a vontade de Deus, enquanto persistir o sentimento patriótico, correr sangue nas nossas veias e o nosso coração bater é a de que se vão embora.

78% dos iraquianos acreditam que os militares dos EUA provocam mais conflito que aquele que previnem. Houve iraquianos que nos disseram que a realização de eleições e o prosseguimento de "resultados" (benchmarks) não fazia diferença.

O guerrilheiro
Enquanto os americanos cá estiverem não aceitaremos governo ou constituição ou outra coisa qualquer que nos proponham. O que aprovamos é uma só coisa - a partida dos americanos.

71% dos iraquianos exigem a partida das forças dos EUA dentro de um ano.
65% pensa que não é plausível que a partida dos americanos ocasione o alastramento da guerra civil.

O guarda republicano
Os sunitas e os xiitas estão ligados por laços de sangue familiares. Por exemplo, eu estou casado com uma xiita, a minha irmã casou-se com um xiita. Não posso matar os tios dos meus filhos ou a minha mulher, mãe dos meus filhos.


A maioria dos iraquianos discorda da separação das pessoas segundo linhas sectárias dentro do território.
Se aquilo que ouvimos dizer fôr verdade - que Zarquavi ameaçou atacar os xiitas - isso significa que Zarquavi não é um mujahedin. Significa que nem sequer é muçulmano.


100% dos inquiridos reprovaram os ataques a civis iraquianos.

O Imã
Imagine que o Iraque invadia os Estados Unidos da América; que um soldado iraquiano, de passagem numa uma rua dos Estados Unidos, exibia a sua arma, ameaçando-os, atingia e desfazia as suas casas. Aceitaria isto?
É por isto que nenhum iraquiano pode aceitar a ocupação e não se surpreenda com as suas reacções. As suas atitudes são normais.

Ouvindo as pessoas do Iraque consegue-se perceber facilmente a razão principal do conflito: Ocupação.

Direccção e texto de Steve Connors e Molly Bingham.
Produzido por Daniel J. Chalfen.
Editado por David Emanuele.
Musicado por Richard Horowitz

Fontes estatísticas:
Worldpubliopinion.org, inquérito de 27 de Setembro de 2007
BBC/ABC, inquérito à opinião da bbc.co.uk de 27 de Agosto de 2007
Defenselink.mil, Departamento de Defesa (dos EUA), relatório trimestral de Junho de 2007


Fonte: Video Know Thine Enemy
publicado pelo The New York Times de 17 de Outubro de 2007

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1 Comentários:

At 01:25, Blogger red disse...

Bastante ilucidativo da realidade Iraquiana.
Parabéns pela publicação.

Vermelho Vivo

 

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