Adriano Moreira - exportar mão-de-obra

A sorte dos países pobres do Sul da Europa é exportarem mão-de-obra; os ricos exportam capitais.
Adriano Moreira, entrevistado por Mário Crespo em 2 de Julho de 2007.
Nesta cândida afirmação, perfeitamente ajustada àquilo que assistimos todos os dias, o salazarista Adriano Moreira diz mais sobre o futuro de Portugal que todas a promessas mal fundamentadas do Partido Socialista. É triste reconhecê-lo. É o corolário lógico de uma longa história de abstenção dos portugueses aos actos eleitorais; da avaliação insuficiente das propostas em jogo e das práticas governativas.
Contrariar o êxodo de mão-de-obra qualificada para os países ricos do Norte exigiria, antes de mais, a confiança não fingida do Governo nas capacidades de realização dos portugueses. Exigiria uma profunda confiança do Governo no trabalho dos professores do ensino público em primeiro lugar. Exigiria que as partes mais dinâmicas da Universidade pública não fossem dadas de mão-beijada (ao preço simbólico de um euro) a fundações privadas. A história do ensino universitário privado em Portugal, salvo uma ou outra excepção, é uma história bem triste de se contar; e o acesso selectivo tornam-no impróprio para vencer batalhas de desenvolvimento nacional. Globalmente visto, o ensino universitário privado está hoje politicamente derrotado, pois não conseguiu cumprir qualquer papel complementar ao ensino público, apenas fornecer ao mercado de trabalho fornadas de trabalhadores mal preparados. Não contentes com tão tristes resultados, conscientes da inutilidade do seu papel social, voltam-se para o ensino público com a sanha dos vampiros à procura de sangue fresco. Claro que problemas dessa natureza não constituem preocupação para os burocratas cinzentos e apátridas da OCDE, cujas recomendações são prontamente transformadas em decreto-lei por governantes acéfalos, medíocres e vende-pátrias. Favorecendo as condições que levam a mão-de-obra qualificada a emigrar para os países ricos, o governo do PS está a comprometer não já o presente, mas o futuro de Portugal.
Etiquetas: desenvolvimento, ensino



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