José Sócrates ensaia velhas práticas
Nada fere mais a autonomia intrínseca à democracia que a intromissão de pessoas alheias a quem será afectado pelas decisões. No domingo passado, por motivo do mais normal exercício do jornalismo, ficou vergonhosamente demonstrado até onde pretende ir a direcção do Partido Socialista na domesticação de sectores que esmorecem o seu entusiasmo pelo Chefe. É certo que o PS ganhou em todas as freguesias de Lisboa, mas pressentindo que o entusiasmo seria insuficiente para saciar a fome de consagração da vitória, lá foi refrescando velhos procedimentos de longa tradição em Portugal. O sorriso de espanto e de incrudelidade de Pacheco Pereira, em directo na televisão, deve ter sido o mesmo que o de milhões de portugueses que àquela hora de domingo assistiam a tão insólito espectáculo. Esperemos que se trate apenas de um ensaio a não repetir.Etiquetas: alienação, democracia



3 Comentários:
O problema da nossa democracia, é:
aqueles que são, não parecem;
os que parecem, não são;
os que são pagos para fazer a oposição, não a fazem;
os que fazem a oposição, não são pagos para isso;
E é no meio desta confusão, que os medíocres vão continuando a singrar, sem terem ninguém que lhes faça frente.
Quanto maior a altura, maior o tombo.
Cá estaremos para ver o resultado.
E acho muito bem que sejam os estrangeiros a fazer a festa.
Se nem o António Costa, nem o Fernando Negrão votam em Lisboa, porque é que haviam de ser os lisboetas a fazer a festa?
Aliás, pelo andar da carruagem, qualquer dia lisboetas é coisa que irá deixar de haver.
Senão, vejamos: o António Costa não conseguiu tantos votos como o número de eleitores que Lisboa perdeu desde as últimas eleições...
Correcção:
entre 2005 e 2007, Lisboa perdeu 12.212 eleitores inscritos, e a abstenção subiu 86.402 votos expressos.
A votação no estrangeiro António Costa, foi de 57.907, que é um número que não dá nem para encher o estádio da Luz.
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