Sábado, Junho 30, 2007

A Liberdade

A liberdade, é como a linguagem não verbal: tem o condão de revelar cada um por aquilo que realmente é, e não por aquilo que gostaria de transmitir aos outros.

A diferença, é que eu posso utilizar ou não a minha liberdade, conforme eu quiser, ao passo que a linguagem não verbal, essa transmite-se independentemente da minha vontade.

A liberdade que assiste ao primeiro ministro José Sócrates para utilizar um título académico na sua cerimónia de investidura no governo, é a mesma liberdade que assiste ao prof António Caldeira, para investigar públicamente a legitimidade desse mesmo título académico.

A utilização da liberdade por cada um deles, vem revelar ao público em geral o conhecimento público das qualidades de cada um.

O primeiro, viu-se forçado a recorrer à via judicial para procurar completar a mensagem que não conseguiu transmitir no programa de televisão que promoveu para justificar a utilização indevida de um título académico, que entretanto teve que abandonar;

O segundo, granjeou uma onda de reconhecimento que se prepara para juntar forças numa luta desigual entre um aparelho de estado e um simples cidadão.

Essa onda de reconhecimento surge, não pelo facto da luta ser desigual mas porque as pessoas sentem que o que está em causa é a própria liberdade como valor de cidadania.

As pessoas gostam de assistir à utilização que cada um faz da sua liberdade individual, para lhes poder tirar o retrato daquilo que elas realmente são, independentemente do certificado ou do título que ostentem.

A liberdade é um valor que pertence a todos por igual, e não pode em caso algum ser apropriada seja por quem for, nem mesmo por aqueles que possuem como missão exercer a defesa dessa mesma liberdade.

6 Comentários:

At 17:56, Blogger Paulo Sempre disse...

A expressão «liberdade» pertence, indiscutivelmente, ao número daquelas que mais frequentemente se empregam, sem cuidar, muitas vezes, de apreender o respectivo sentido.
O mesmo acontece com as expressões : "fatalismo", "omnisciência divina", o "livre-arbítrio".
Há em todas uma parte interna e outra externa.
A parte interna está assegurada a todos, pela sua própria natureza como pela natureza das coisas. A parte externa acha-se limitada por todas as forças que rodeiam os homens e que constantemente contrariam a sua vontade. Pode então afirmar-se que o homem, sejam quais forem as liberdades concedidas pelas instituições, é apenas um prisioneiro, cujos movimentos, cuja acção, se acham irremediavelmente limitados pelo espaço que ocupa no «cosmos».
Não é facil afastar as pressões para deixar passar a liberdade..

Abraço

Paulo

 
At 23:18, Blogger José Ferrão disse...

Penso que o verdadeiro sentido da liberdade, se revela quando ela é posta em causa, mediante uma situação concreta.
Desligada da realidade, a liberdade torna-se num termo que diz tudo o que se quiser, sem nada afirmar.
O mais corrente é o sentido restritivo, que diz que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade do próximo, mas esse sentido não permite extrair resultados construtivos, como aquele que eu pretendi realçar.
Afinal de contas, a liberdade de cada um, tanto serve a ele próprio, como pode aproveitar aos outros, não será?
Obrigado.

 
At 23:46, Blogger Jorge Ferrão disse...

Esta mensagem foi removida pelo autor.

 
At 23:49, Blogger Elisabete Ferrão disse...

Esta mensagem foi removida pelo autor.

 
At 23:56, Blogger Jorge Ferrão disse...

Esta mensagem foi removida pelo autor.

 
At 23:57, Blogger Elisabete Ferrão disse...

A liberdade é como a luz: Existe.
Algumas estrelas irradiam tanta luz, são tão brilhantes e não impedem nem se preocupam com o brilho das outras estrelas, que habitam o mesmo universo.
Mas também há as "estrelas negras" que não emitem luz e roubam toda a luz que as rodeiam.
A liberdade equivale à luz que cada uma emite, ou não, e ao cuidado que tem com ela. Deixa de ser quando começa a tentar-se manipular o brilho alheio.

Como é lindo o firmamento, numa noite de Agosto, repleto de estrelas reluzentes!

Um beijo

 

Enviar um comentário

<< Home


hits: