Segunda-feira, Abril 23, 2007

Quando os fantasmas vencem



A adolescência e o início da idade adulta é um período da vida intrinsecamente instável, diria mesmo, vertiginoso. A diversificação de relações sociais dentro e, principalmente, fora da família ajudam, de algum modo, a segurar um rumo de vida pode ser satisfatório para o próprio e para os que o rodeiam. Mas não há por onde fugir à aguda sensação de isolamento e creio que, ao menos uma vez na vida, a ideia do suicídio passa por todos. Quase sempre as forças internas se sobrepõem e acabamos por registar que os fantasmas não são tão avassaladores como os estimámos; que os nossos receios não são apenas nossos; e que há mais coisas interessantes à espera na nossa contribuição. O conhecimento do outro, como algo que não é essencialmente diferente de nós, acaba por vencer no termo deste processo de amadurecimento.
Este desenlace, sendo regra, tem excepções. Foi o triste caso do estudante sul-coreano Seung-Hui Cho da Universidade de Virgínia. Venceram os fantasmas, mas estes tiveram ajudas:
  • Excesso de confiança dos responsáveis académicos nas virtudes dos psicotrópicos.
  • Subvalorização da gravidade da situação já detectada por professores e alunos, por receio de má publicidade para a instituição.

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1 Comentários:

At 07:34, Blogger José Ferrão disse...

+ rompimento dos laços familiares, sem a sua substituição pelos factores da integração social.

+ ausência de mecanismos de auto-defesa da sociedade, com os responsáveis a queixarem-se da falta de legislação para responder adequadamente aos sinais de alarme.

Predomina o sentimento de que a pena de morte é suficiente para prevenir este e outros tipos de comportamento.

 

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