Quando os fantasmas vencem

A adolescência e o início da idade adulta é um período da vida intrinsecamente instável, diria mesmo, vertiginoso. A diversificação de relações sociais dentro e, principalmente, fora da família ajudam, de algum modo, a segurar um rumo de vida pode ser satisfatório para o próprio e para os que o rodeiam. Mas não há por onde fugir à aguda sensação de isolamento e creio que, ao menos uma vez na vida, a ideia do suicídio passa por todos. Quase sempre as forças internas se sobrepõem e acabamos por registar que os fantasmas não são tão avassaladores como os estimámos; que os nossos receios não são apenas nossos; e que há mais coisas interessantes à espera na nossa contribuição. O conhecimento do outro, como algo que não é essencialmente diferente de nós, acaba por vencer no termo deste processo de amadurecimento.
Este desenlace, sendo regra, tem excepções. Foi o triste caso do estudante sul-coreano Seung-Hui Cho da Universidade de Virgínia. Venceram os fantasmas, mas estes tiveram ajudas:
- Excesso de confiança dos responsáveis académicos nas virtudes dos psicotrópicos.
- Subvalorização da gravidade da situação já detectada por professores e alunos, por receio de má publicidade para a instituição.
Etiquetas: Seung-Hui Cho, Universidade de Virgínia



1 Comentários:
+ rompimento dos laços familiares, sem a sua substituição pelos factores da integração social.
+ ausência de mecanismos de auto-defesa da sociedade, com os responsáveis a queixarem-se da falta de legislação para responder adequadamente aos sinais de alarme.
Predomina o sentimento de que a pena de morte é suficiente para prevenir este e outros tipos de comportamento.
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