Domingo, Abril 15, 2007

Quais Novas Oportunidades?

Por “Novas Oprtunidades” entende-se o slogan encontrado pelo governo para escoar o que falta de apoios estruturais da União Europeia. Na sua base está o reconhecimento de que as habilitações necessárias para o crescimento económico em Portugal seriam ainda insuficientes. Ao governo cabe a gestão destes recursos significativos, que serão certamente os últimos. Era desejável que fossem aplicados com critério; que não se repetissem tristes episódios do passado em acções semelhantes; que todos pudéssemos confiar na capacidade dos nossos políticos organizarem as numerosas etapas intermédias que se impõem para garantir bons resultados no final do período; levantar a estrutura de inspecção dotada de profissionais habilitados, que existem no país; acompanhar o desenvolvimento da aplicação de cada euro que se gastar; intervir precocemente ao detectar desvios motivados por incompetência; criar um quadro legal dissuasivo para os numerosos aventureiros da praça; elevar o nível de exigência para a admissão de monitores; avaliar com cuidado as condições de acesso aos cursos; definir o conjunto de provas conducentes à certificação; impôr prazos de execução…
Pois bem, eu não tenho confiança suficiente na capacidade deste governo em levar a cabo este empreendimento. E não é só porque o seu chefe é capaz de exibir documentos falsificados em seu favor. É também porque ele poróprio se demitiu de honrar as suas palavras; também porque não possui qualquer espécie de experiência de gestão válida; porque é capaz de proferir insultos à generalidade dos professores (não simples instrutores de ocasião); porque é incapaz de dialogar.
Mais, sinto que a aversão à mentira não é apanágio da esquerda nem da direita: sería ridiculamente simples. Mas se José Sócrates procurou refúgio no terreno do fogo cruzado, não tem que se queixar. Tanto entre os que se reclamam de esquerda como de direita, as águas estão divididas. Dando uma mão ao aflito José Sócrates estão Mariano Gago, Durão Barroso, Cavaco Silva, Dias Loureiro. Tudo gente que, aos meus olhos, deixou cair a ombridade intelectual e o respeito pelos seus conterrâneos, para tentarem emprestar idoneidade a quem não cuida de se respeitar a si próprio. Ser chamado de mesquinho por não alinhar nestes subterfúgios é daquelas manchas morais que, parafraseando Frederico E., eu carrego com prazer. E espero bem que em Portugal o demissionismo intelectual que nos coibe de nos revoltarmos contra maus exemplos exibidos pelos máximos responsáveis políticos não se transforme em regra de bem-pensar.

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3 Comentários:

At 19:05, Blogger José Ferrão disse...

As novas oportunidades, consistem em transferir os cursilhos com que se esbanjou os fundos comunitários, na altura em que aparece o fundo do "tacho", para a alçada do Ministério da Educação.
Qualquer dia, depois de acusar os professores pelo insucesso escolar, passa-se a acusá-los também de ter esbanjado os fundos comunitários...

 
At 20:29, Blogger Arrebenta disse...

Meu deus, tanto Ferrão, por aqui
:-)

 
At 21:42, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Aleluia. Uma genuina Braganza Mother por aqui. Benvinda. Sinta-se à vontade.

 

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