Sexta-feira, Abril 27, 2007

Geração de Abril

A nova geração (Susana, Jorge) quer saber como foi.

Hoje, os ministros de "esquerda" de Portugal
Alinham com subserviência
Perante o todo-poderoso Bill Gates.
Em Portugal, o ministro dos negócios estrangeiros
Vocifera pelo bombardeamento do Irão

Os bancos prosperam acima dos dois dígitos
A privatização esmaga os serviços públicos

Mas Portugal não foi sempre assim
Por aqui passou uma Revolução a sério
Daquelas que acontecem
Uma vez em muitos séculos

Talvez no fim compreendam,
Porque Paulo Portas extinguiu
O serviço militar obrigatório




Um cheirinho a alecrim...

Para se ser democrata
Não era preciso gravata
(Nem fato azul regimental)

Todos os dias eram diferentes.
O público nunca leu tanto
Os jornais faziam segundas tiragens.

Os que se haviam acomodado,
Não se mostravam, fugiam.
Atrás deles, desamparados,
Fugiam os donos do Império.

No pavilhão americano das Lages
O primeiro ministro,
Não usava libré.
Tampouco segurava o chapéu
Ao presidente dos EUA

Fátima foi esquecida
Futebóis ficaram para trás
E os fadistas
Cederam aos trovadores

O nosso primeiro ministro
Falava antes de Mitterand
E de Willy Brant

Informando que a base das Lages
Era imprópria para
O bombardeamento da Líbia.

A organização norte-americana
Que havia fomentado
O banho de sangue no Chile
Para cá enviou como embaixador
Um seu destacado agente

O senhor embaixador
Só clandestinamente reunia
Com demagogos e provocadores
E com quem havia aceite
Fazer parte do governo
Para contra ele conspirar

Ninguém vinha cá procurar
Minúsculos serviçais
Desfilando alinhados
E rendidos a Bill Gates

Vinham cá conhecer
Um exemplo mundial da coragem
Portugal rejubilava
Com a vitória do Vietname

Os olhos brilhavam
As mulheres falavam
Sem olhar para o chão

Para selar a esperança,
Nasceram muitos bébés
Vós, a geração de Abril.

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6 Comentários:

At 16:01, Blogger Jorge Ferrão disse...

Confesso que anteontem,também não gostei nada de ver o Júlio Pereira tão apagado nas comemorações do 25 de Abril. Afinal ele só deve estar cansado.
Agora entendo o ataque desta tropa de fadistas de meia-tigela. É que os meninos trazem costas quentes.

Os jovens tem uma característica que é ao mesmo tempo, uma vantagem e uma desvantagem: Não têm memória.

Por muito que te custe, lê isto:
ESTE TIPO DE MENSAGENS, NÃO PASSOU.
Está bem, pronto, passou como passou a vida do homem das cavernas, na pré-história.

 
At 18:39, Blogger Moriae disse...

Os meus sinceros parabéns por este post e pelo vosso blog!
Abraço,

 
At 19:47, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Moriae
Benvinda. Também vou espreitando A Sinistra Ministra para tomar o pulso à situação.
Obrigado pela visita

 
At 19:56, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Jorge
Não me custa nada porque esta mensagem passou. Tenta reparar no hiato: muitos democratas falam à vontade do período de antes do 25 de Abril de 1974 e de depois de 25 de Novembro de 1975, mas engasgam-se seriamente naquilo que ficou no meio, que foi a verdadeira Revolução. Para disfarçar, tentam chamar revolução àquilo que veio depois, ou seja, à fase da alienação da soberania nacional (primeiro a troco de ecus, depois, por euros). Cabe a ti distinguir.
O episódio com o presidente dos EUA é verdadeiro: regista. Nunca mais se repetiu. Os frouxos preferem o libré.

 
At 17:29, Anonymous Susana disse...

adorei o poema!!! sobretudo dos três ultimos versos!!!

Pois é, os jovens nao têm memoria... mas quando alguem da familia conta a sua historia, é como se a nossa memoria se extendesse a essa historia. E bem diferente de ver um documentario ou ler qualquer coisa, com a inevitavel distancia que se poe entre nos e os factos. E como se a mensagem nem precisasse de passar, ja esta ca dentro...

 
At 19:56, Blogger António Chaves Ferrão disse...

Susana, como médica podes confirmar ou desmentir. Eu, que sou amador, olho para a pirâmide etária de Portugal e identifico facilmente o que eu chamo geração da esperança. Depois do apogeu da liberdade, a taxa de natalidade começou a retrair-se imediatamente. Sei que estou a misturar psicologia com sociologia e com estatística, mas isto faz todo o sentido e dá a real dimensão da esperança. Assaltem depressa o poder que andamos a precisar de respirar ar fresco.

 

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