Só para lembrar...
Domingo é dia de referendo.
E para variar, lá anda tudo a falar e a cair na esparrela dos "anti-abortistas".
Como se a questão a referendar fosse:
Faria ou não um aborto?
E então, as pessoas que são a favor da despenalização das mulheres que optaram por abortar, vão votar não porque não fariam um aborto(pelo menos nesse momento!)...
Mas a questão é:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Vou votar SIM!
Porque ainda estou a tempo de salvar muitas vidas.
Para os confusionistas:
Recuso-me a manifestar a minha opinião acerca da vossa questão: Faria ou não um aborto?



16 Comentários:
que pena os abortados NÃO votarem...
ainda estou a tempo de salvar muitas vidas
O que é o sofrimento de uma grávida, ao pé da agonia de um canceroso?
A grávida aborta porque quer, um canceroso no seu sofrimento suplica para que o matem e nem esse direito lhe dão.
Aqueles que se mostram tão preocupados com os abortos, nunca os vi a dar sangue no hospital de oncologia.
Abortar é fácil, é só puxar dos instrumentos e já está. Tão fácil como justificar o sim no referendo.
Difícil, é investigar o cancro e salvar vidas. Os médicos não podem dar para tudo...
Por isso é que o sim começa sempre mais forte do que o NÃO, e à medida que cresce a campanha e aumenta o esclarecimento, o sim é só descer e o NÃO é só subir nas sondagens.
Vamos lá a ver se ainda vai a tempo...
Esta mensagem foi removida pelo autor.
Lamento que pense assim.
Neste caso está realmente enganado,e já começa a não fazer sentido o seu raciocinio.
Os que não concordam com a penalização destas mulheres presam e respeitam muito a vida sim, em muitos âmbitos, tanto ou mais dos que os que defendem o não.Pelo menos consideram a dignidade humana, a liberdade, o respeito pelos outros, a consciência de cada pessoa.
São mais corajosos,sim!
Não dizem tretas do tipo: "As mulheres, nestes casos, continuam a ser criminosas, não se muda a lei, mas não se preocupem que não a vamos cumprir... e hipocritamente dizem que lhes vão prestar auxilio.
Quem defende o sim: defende a vida, sim! Dá sangue, sim! Dá a vida pelos seu filhos, SIM!
"Abortar é fácil, é só puxar dos instrumentos e já está."?!!!
É só?!!
Vê-se que é homem, para tão cruel observação, e bem machista por sinal. Admita o que incomoda realmente são os termos "mulheres" e "despenalização" na mesma frase.
Queria ver a opção que tomaria um defensor radical da vida, se lhe violassem a filha adolescente e a engravidassem, e ela quisesse abortar...
Proibia-a?!
Deixava-a fazer o aborto e denunciava-a a seguir?!
Considerava-a uma criminosa?!
Não querem prender ninguém, votam sim.
Não querem chamar estas mulheres de criminosas, votam sim.
Querem prestar-lhes apoio, votam sim, e tiram o rabo do sofá.
NINGUÉM É A FAVOR DE ABORTOS...
Vivam as sondagens, a eutanásia, o cancro, as descrições de abortos e todos os assuntos possíveis e imaginários para fazer confusão e afastarem as pessoas menos preparadas de responder directamente ao que se pergunta.
Vale a mentira, vale a manipulação, vale a ofensa, vale a prepotência, vale tudo. Menos a despenalização.
Lamento tantas atitudes medievalistas, e o saudosismo inquisicional.
É em nome do respeito e da defesa da Vida, que voto SIM!
Sou contra a criminalização das mulheres ou seria a favor da criminalização dos homens (isentos de mácula).
Despenalizar as mulheres que optam por abortar é o mesmo que penalizar as pessoas que colocam o valor da vida que é sacrificada, acima da necessidade daquela opção, e que são chamadas a executar a sentença.
Não concordo que se atirem para cima daqueles que ainda estão para nascer, a solução de todos os problemas de que enferma a sociedade daqueles que já viram a luz do dia.
E não preciso de chamar nomes a ninguém para justificar a minha opção.
E já agora, manipulações e hipocrisias ainda não vi maiores do que os adeptos do sim fazerem barulho com julgamentos de mulheres que abortaram às vinte e tal semanas, ou esta agora de apresentar casos de violação de adolescente, que já se encontram duplamente contemplados na lei: primeiro porque abaixo dos 16 anos não se podem sentar no banco dos réus, segundo porque se trata de violação.
Finalmente, respeito por respeito, vamos clarificar as coisas:
Em nome do respeito pela vida da mãe que fez uma opção, vota SIM
Em nome do respeito pela vida do filho que não fez nenhuma opção, vota NÃO
Quanto mais não fosse, porque o filho, esse morre de certeza, ao passo que a mãe ainda se pode safar.
"esta agora de apresentar casos de violação de adolescente, que já se encontram duplamente contemplados na lei: primeiro porque abaixo dos 16 anos não se podem sentar no banco dos réus, segundo porque se trata de violação."
Devia ser mais coerente.
Um início de vida, é sempre um início de vida.Independentemente da sua origem ou condição de desenvolvimento. Ou não é?
Só um aparte:
Sabe o que eu acho lindo?
Aqueles casos que eu conheço, em que as suas mulheres já fizeram abortos e na altura não se lembraram da vida dos filhos, mas agora até votam não.
Isto não é hipocrisia? Talvez seja exorcismo de culpas ou o célebre atirar de areia para os olhos dos outros.
Têm todo o direito de espiar os seus pecados, podia não ser à custa dos outros.Correção: ...das outras.
elisabete,
Sinceramente não sei o que é que o comentário tem a ver com a citação.
Os "casos que eu conheço" também não estou a ver quais sejam.
Mas já que estamos na cavaqueira, pergunto:
num aborto, o filho existe ou não existe?
se não existe, então aborta-se o quê?
se existe, ele morre, ou nunca chegou a viver?
a vida, é um valor relevante, ou relativo?
Agora estou convencido! Não voto neste referendo enquanto não legalizarem a eutanásia dos cancerosos!
E ainda acrescento: andam aqui meia-dúzia de malfeitores a fazer campanha ao "Sim" enquanto o problema do aquecimento global ainda está por resolver...tsc,tsc...que vergonha!
...e acerca das perguntas que eu deixei?
Sr. José Ferrão,
Por favor, leia novamente com atenção o comentário e certamente perceberá a relação com a citação.
Quanto aos "casos que eu conheço" não interessa que você esteja a ver quem sejam ou não, interessa sim conhecer a situação. Provavelmente também conhece situações semelhantes, já que não são assim tão raras.
Respondendo às suas perguntas...
Pergunta: "num aborto, o filho existe ou não existe?"
Resposta: Numa gravidez, a meu ver, o filho começa a existir. Começa um novo percurso de vida.
Num aborto termina-se a possibilidade de existir um filho.
Pergunta: "se não existe, então aborta-se o quê?
Resposta: Aborta-se um embrião, ou um feto. Não se aborta uma criança.
Pergunta: "se existe, ele morre, ou nunca chegou a viver?"
Resposta: Morre antes de ter nascido.
Pergunta: a vida, é um valor relevante, ou relativo?
Resposta: Infelizmente somos animais e não pedras, como tal a vida é um valor relevante mas é totalmente relativo. Só para as pedras é que não é, tanto lhes faz que haja guerra ou paz, fome ou abundância, saúde ou doença...
Para terminar pergunto-lhe:
As mulheres que abortam são criminosas?
Quem vota não, quer somente humilhar as mulheres e não as prender?
Acha que se ganhasse o não extinguía-se o Aborto em Portugal?
As mulheres que abortam são criminosas porque ofendem a vida humana.
A sociedade humana baseia-se na renovação da espécie, e o aborto é por natureza um acto consciente (se não for natural, é claro) que merece a reprovação social, mesmo onde ele é despenalizado; pode-se despenalizar a mulher, não se pode despenalizar o crime.
Actualmente, o que a penalização faz é colocar o criminoso a pagar o crime; se houver despenalização, será toda a sociedade a pagar o crime.
Ao votar NÃO, eu não quero humilhar nem prender ninguém; apenas quero que aquele acto consciente corresponda a um preço que não coloque em igualdade perante a sociedade, as mulheres que cumprem e as que rejeitam, o papel que a sociedade espera delas.
Na falta desse preço, penso que a sociedade estará a contribuir activamente para a destruição de si própria, e tudo isso por conta da manipulação de sentimentos que têm natureza transitória, e que derivam do mesmo estado de transição em que a mulher se encontra.
Não é que a mulher seja uma criminosa por natureza, o que se passa é que no estado de transformação em que ela se encontra, ocorrem naturalmente sentimentos de rejeição que têm natureza passageira; o aborto surje quando esses sentimentos, em vez de serem contrariados numa prespectiva global, relativizando o seu valor, são manipulados no sentido de colocar a mulher em confrontação com a sociedade por via da criação de uma situação de facto.
O aborto não se extingue por obra e graça de um referendo, seja qual for o seu resultado. Seria simples demais para um assunto tão complexo. Porém, acho que o NÃO está na direcção certa, ao impor a necessidade de um preço, ao passo que o SIM está na direcção errada, ao afastar a própria noção de preço daquela parte que impõe a sua opção, ainda por cima como eu já disse, na altura em que se encontra menos capaz de exprimir uma opção consciente.
Zé : « na altura em que se encontra menos capaz de exprimir uma opção consciente. »
Eu acho que a mulher que engravidou quando nao o queria fica numa posiçao de fragilidade, mas nao me atrevia a dizer que perde a sua capacidade de julgamento… isso é condescendente e injusto. Em todo o caso, se fosse a acontecer a mim, gostaria muito de ter um acompanhamento psicologico mas seria inadmissivel !!!!! que me tratassem como um animal que perdeu o seu sentido de raciocinio e a sua consciencia. Ainda por cima, EU é que tenho de viver o resto da minha vida a assumir as consequencias dos meus actos… é justo que eu tenha voto na matéria… senao estao ai reunidas todas as condiçoes para fazer de mim de facto uma criminosa…
Zé : « As mulheres que abortam são criminosas porque ofendem a vida humana. »… Entao devemos acabar com a procriaçao com assistencia médica porque se matam montes de embrioes no processo… Se te tivesse acontecido a ti, Zé, nao poder ter filhos sem a ajuda da medicina, o que terias escolhido ? E ja agora deviamos acabar com toda a casta de contracepçao porque claramente estamos a bloquear o caminho da vida e da renovaçao da espécie… Eu nao concordo com esse tipo de argumento… Nao somos animais, somos seres com capacidade de reflexao, e portanto as leis de Darwin e de luta pela sobrevivencia nao se podem aplicar a nos… Quanto mais nao seja porque para sobrevivermos, nao precisamos so de comer, beber e reproduzir-nos, precisamos também de ser felizes… o que é bastante diferente dos animais (enfim, se calhar nem tanto, estou a ser antropomorfica…)
Zé :« apenas quero que aquele acto consciente corresponda a um preço que não coloque em igualdade perante a sociedade, as mulheres que cumprem e as que rejeitam, o papel que a sociedade espera delas. » Pois o problema é que a nossa sociedade nao espera nada do tipo que engravidou a mulher e que depois se poe na alheta… A injustiça nao esta entre mulheres que « cumprem » e mulheres que « nao cumprem »… a injustiça esta entre as mulheres que « carregam com este cargo » e os homens que podem escolher…Alias, eu nao acho que a nossa sociedade espere esse papel das mulheres… o de trazer ao mundo uma criança sem nenhuma garantia quanto ao futuro dessa criança… O que a sociedade espera é ser constituida por seres humanos felizes… Bom, em todo o caso é o que EU espero.
Eu acredito na força de um bom sistema de ajuda social, muito mais do que na força de um sistema penal… Como dizia a Elizabete, é preciso dinheiro para creches, para acompanhamento de gravidez, para tudo o que permite ter filhos na felicidade e nao na miséria… Se todo o dinheiro que serve para pagar a estadia na prisao da mulher que abortou fosse para os serviços sociais a que me referia antes, eu ficaria muito satisfeita…
O que é que vocês acham ?
Olá Susana,
o que eu acho é que estás a 2000 Km do que se passa no nosso sistema de saúde, onde se fecham blocos de parto às dezenas, os utentes que têm médico de família já não são a regra mas sim a excepção, e agora com os abortos e as promessas que pretendem associar-lhes, é a machadada final no sistema de saúde pública.
Qualquer dia, então com a psicologia dos abortos, mais os abortos, mais as salas de injecção assistida para os drogados, mais não sei o quê, qualquer dia já não se consegue nascer em Portugal e tudo o que seja operações e saúde, só mesmo no estrangeiro ou no privado. Ainda na samana que vem, eu vou fazer a operação à catarata no privado porque o estatal é só para o arranca-olhos.
O que querem, é transformar o país num paraíso de abortos à escala internacional, sempre é uma indústria que bem pode ombrear com o turismo, e que permite enfeitar a legislação dos outros países com as flores de que fala a Susana, ficando o trabalho sujo reservado para este cantinho à beira-mar plantado.
Ola Zé,
Nao sei o que responder... apenas que com uma visao tao apocaliptica do sistema de saude e do Estado português, compreendo que respondas NAO...
Olá, Susana,
fiquei muito contente por te teres manifestado, foi uma lufada de ar fresco. Especialmente porque és mulher.
É que no nosso pais infelizmente as mulheres ainda têm medo de exprimirem a sua opinião, sem antes terem a autorização ou a aprovação do macho mais próximo. E isto acontece inclusivamente na nossa geração.
Porque é que acontece? Talvez seja uma questão cultural ou social. Podemos tomar como exemplo o discurso do Zé: "apenas quero que aquele acto consciente corresponda a um preço que não coloque em igualdade perante a sociedade, as mulheres que cumprem e as que rejeitam, o papel que a sociedade espera delas."
Constantemente fala "destas" mulheres como não fazendo parte da socidade ou sendo mulheres de segunda. Esquece-se que nós todos juntos somos a socidade, e que as mulheres são parte fundamental desta mesma sociedade.
A sociedade não tem uma porta onde só entram os cidadãos de primeira e os outros ficam à porta até melhorarem a sua conduta.
A sociedade se quer resolver os seus problemas e os quer tentar minimizar, já que não os pode extinguir, tem que olhar para eles com seriedade, e objectividade para por mãos à obra. Não vai a lado nenhum, com a postura: era só o que agora faltava, aquelas criminosas terem direito a serem tratadas nos serviços de saúde, terem direito a psicólogo, a gastarem os Meus impostos ou os delas...
Se a nossa socidade fosse mais justa não existia uma lei para penalizar unicamente as mulheres, o mesmo será dizer que por natureza estão mais propensas a serem criminosas. Não faz sentido!
Se a nossa sociedade fosse mais justa esta questão nem seria referendada.
Se esta sociedade fosse mais justa não privava ninguém de ter assistencia médica.
Se, se, se...
Os impostos que o José tanto quer proteger, têm um único propósito ajudar a sociedade a resolver os problemas que necessitam de fundos. Quando o dinheiro não chega para tudo deveria ser aplicado nos prioritários, e quanto a mim, são a Saúde e a Educação. A Saúde estás a ver como é respeitada no nosso país, nem quero começar a falar-te na Educação.
Amanhã a lei do nosso país vai mudar,espero sinceramente. è por isso que eu vou votar sim, porque sou mulher, porque sou mãe, e porque desejaria que todas as crianças recém chegadas a esta vida fossem desejadas, muito amadas e tivessem sempre à espera os braços das suas mães, em vez da miséria, do desdém do abandono ou de um caixote de lixo qualquer Independentemente da cor que o queiram pintar.
Amanhã a sociedade do meu país vai dizer o que pensa e espero bem que preveligie o respeito pelas mulheres, pelos médicos, e pela auto-confiança, pela igualdade de direitos entre cidadãos e pela liberdade. Pode ser que comecemos a por a hipocrisia de lado e a assumirmos as nossas falhas e responsabilidades.
Obrigada Susana
Beijinhos.
Só um apelo a uma mulher em especial:
Magda a sua participação era fundamental, volte!
Enviar um comentário
<< Home