Não acredito na seriedade do método, mas apenas das consequências.
Depois de me dizerem que o nosso dinheiro não chega para os blocos de parto, não consigo engolir que afinal chega para os blocos de aborto.
Ao menos o parto não tinha psicologia nenhuma, ao passo que o aborto ainda vai meter psicologia, educação e não sei que mais. Não seria muito mais simples em vez de abortar este filho, aplicar essa psicologia e educação só para evitar o próximo filho?
O problema é que, ironia das ironias, nunca vi nenhuma mãe que ao olhar para o seu filho, fosse ele desejado ou não, lhe dissesse: "quem me dera ter-te abortado logo, que só vieste foi para desgraçar a minha vida!".
Estive a ler com atençao o que se passa aqui no blog acerca do referendo. E devo dizer, com muito interesse… Vocês estao todos tao longe, é bom ver-vos « mexer » de vez em quando… E ainda por cima, vocês apresentam todos um nivel de discussao muito profundo sobre este tema gravissimo. E mesmo muito interessante. Aqui na Belgica o aborto foi legalisado até às dez semanas de gravidez, sem haver consultaçao do povo… Nao sei se isso é mau (nao haver referendo)… Foi também o que aconteceu em França. Uma coisa é certa, quando contemplo estes dois exemplos : o numero de abortos voluntarios NAO aumentou de maneira dramatica. Aumentou sim, mas de forma ligeira, e se se tem em conta a sub-estimaçao dos abortos antes da lei passar precisamente porque eram feitos de forma ilegal, na minha opiniao, nao se pode falar de uma verdadeira mudança de comportamento das mulheres…
Uma coisa que me parece clara é que, desde o inicio do debate entre vocês, houve uma avalanche de argumentos para defender um lado ou outro mas ninguém mudou de opiniao… Sera que é possivel convencer alguém a votar sim quando pensava votar nao, ou vice-versa ? Eu acho que o que vocês irao escolher no domingo vai ser o reflexo de tudo o que ja viveram… Todas as situaçoes da vida que lhes tocaram de uma forma ou de outra e que fizeram a vossa opiniao no dia de hoje. Ninguém nasce a saber o que é ou vale a vida, nem o que é ou vale a liberdade. Nem ninguém nos ensina, de maneira formal, a partir de quando é que um conjunto de celulas começa a ser um ser humano e a ter os direitos de todos os outros seres humanos… Sao questoes que ficam indefenidas até ao dia em que nos é pedido de nos definir quanto a elas. Entao, acho que nao ha uma so resposta certa. Se houvesse, alguém entre voçês ja tinha mudado de opiniao… Eu ca tive de refletir sobre essa questao quando comecei a estudar ginecologia… E nao é nada facil… Mas por enquanto, e porque a minha opiniao e a soma da minha experiencia, eu sou a favor do SIM, devemos despenalizar o aborto. Porque o que eu aprendi em medecina, é a tratar o paciente que tenho na frente da melhor forma possivel e sempre sem ir contra as minhas crenças pessoais. A minha crença pessoal é que o conjunto de celulas começa a ser humano a partir do momento em que alguém tem um projecto de vida para ele. Entao porquê um limite de 10 semanas para abortar ? Nao sei… Sei que teria horror em cometer esse acto num fetus de 8 meses… Porquê ? Nao sei… Se calhar porque a partir desse momento também eu começo a ter um projeto para ele… Porque ja nao faz nenhuma duvida saber se ele é humano ou nao, entao a pergunta perde o fundamento… Acho que uma mulher normal dà-se conta, dentro do lapso de 10 semanas, que esta gravida. E entao, vem a pergunta : sera que eu posso ser mae ? Talvez que depois de 10 semanas, se a duvida aida subsiste, é porque se calhar ha uma hipotese de ser mae, na mente da mulher… e nesse caso é preciso dar todo o apoio à vida… Isto é para responder a uma das MUITO dificeis perguntas do campo do NAO… enfim, é uma tentativa, é o que eu tenho de mais sincero e menos politizado...
Uma coisa que me aborrece, Zé, é quando tu falas de maneira tao crua do raio da mulher que nao quis pôr preservativo ou o raio da mulher que ja vai no décimo aborto, so mesmo para chatear o contribuinte ao fazê-lo pagar por isso… Nao é assim… nao é ! Abortar é traumatisante (e até mesmo para o médico !) ! Ninguém o faz por prazer… Quem o faz é porque nao tem outra alternativa… E para ter a certeza disso, é indispensavel acompanhar o aborto por uma consulta prévia em psicologia e por um acompanhamento social eficaz… (procura de outras soluçoes como por exemplo dar o bébé a pessoas que o queiram…) Mas nao podes fechar os olhos sobre a miséria que acompanha uma gravidez nao desejada… miséria para a mulher, miséria para a criança, miséria para a sociedade… Nao digas que nunca viste essa miséria, que eu nao acredito… Se nunca ouviste uma mae dizer que preferia nao ter tido o seu filho ou filha, é porque uma mensagem tao escabrosa e chocante simplesmente nao se pode dizer na nossa sociedade… nao pode chegar aos teus ouvidos porque tu nao estas na posiçao de o ouvir… mas podes ter a certeza que dentro de um gabinete de médico ou de psicologo ou até de ajudante social… ja vem ao de cima…
Mais uma vez, obrigada a todos pelo vosso debate tao profundo e cheio de humanidade…
Um beijo para todos
Susana
PS : desculpem o meu português tao reles e sem acentos…
Olá Susana, Agrada-me saber que a nossa fofoca ultrapassa o circuito fechado dos que se têm expresso sobre este tema. Desculpa às vezes a maneira mais crua como digo as coisas, mas trata-se de uma simples questão de economia: é muito mais breve e sugestivo dizer "Ai" do que dizer "dói-me aqui...". Não sei se chegaste a ler o último comentário que deixei ontem à Elisabete, mas tu como médica estás em óptima posição para te pronunciares sobre ele. Olha, para não perderes tempo a procurar, foi no "Só para lembrar" da Elisabete. Estava eu a dizer que o aborto é uma manipulação de um estado transitório em que a mulher se encontra, e que pode despertar sentimentos de rejeição que eu considero que são temporários. Fico a aguardar resposta. Obrigado.
Zé, eu vou responder no post "so para lembrar" mas posso ja dizer duas coisas: Primeiro, quando eu digo que a forma é crua nao é so porque ofende os meus ouvidos delicados, é porque eu acho que nao se pode fazer a economia de dar espaço à duvida... quero dizer, julgar os outros é demasiado facil, mas tao facilmente nos enganamos porque temos a vista a ocultar tanta coisa... Segundo, é verdade que ha sentimentos de rejeiçao transitorios. E por isso que o acompanhamento psicologico é crucial! Muitas vezes um espaço de discussao livre e pacifico pode levar a mulher a ver as coisas sob um angulo menos dramatico, mais realista... Acompanhamento que certamente nao faz parte do menu quando uma mulher é obrigada a ir ver um cenro de aborto clandestino...
Desculpa lá Susana, não queria de todo entrar em polémica contigo, mas acabo de ver um vídeo com testemunhos de mulheres americanas que abortaram "no legal"... Bom, acho que não vale a pena estar a descrever, basta ir ao YouTube e escrever aborto, há para lá vídeos para todos os gostos, e por lá aquilo é que nem fábrica de salsicha, vais tu e mais outras trinta no mesmo dia, aquilo é cá cada psicologia...
Ok, se calhar.. de qualquer forma nao tenho fé nenhuma na qualidade do sistema social americano... MAs aqui na Belgica, as coisas sao diferentes, nao ha fabricas de salsichas e a consulta psicologica previa é uma obrigaçao por lei... assim é melhor nao?
Eu não sei como é a lei americana, mas pelo que elas dizem parece que têm que responder qualquer coisa à psicóloga... De qualquer modo, aqui o referendo como está feito também não fala em psicologia, e tu se achaste a minha descrição um bocado crua, esta pergunta então nem se fala! Neste mesmo blog podes encontrar a maneira como está formulada, e já agora sem querer abusar da tua formação médica, deixa-me perguntar o seguinte: Qual seria a tua resposta em consciência pessoal (sim ou não) se uma mulher te ordenasse, por sua única e exclusiva vontade, na qualidade de médica "em estabelecimento de saúde legalmente autorizado", que lhe fizesses um aborto porque ela tinha que ir para férias? E à luz do regime belga, qual deveria ser a tua atitude? Repara que o acompanhamento que tu dizes que não faz parte do menu do aborto clandestino, tão-pouco figura na pergunta em referendo...
Zé: "Qual seria a tua resposta em consciência pessoal (sim ou não) se uma mulher te ordenasse, por sua única e exclusiva vontade, na qualidade de médica "em estabelecimento de saúde legalmente autorizado", que lhe fizesses um aborto porque ela tinha que ir para férias?"
Da mesma forma como eu nao aceito de prescrever calmantes a alguém so porque lhe dà na gana, também (e com muito mais razoes) nao aceito praticar um aborto so porque deu na gana da mulher de ir de férias... Espero nunca chegar a ser manipulada pelos meus pacientes a esse ponto... Infelizmente os casos reais nunca sao tao simples como o caso que tu apresentas...
O acompanhamento psicologico é obrigatorio e aplicado aqui na Belgica mas como disse, a questao do aborto nao foi referendada. Foi votada... Acho que ai em Portugal, mesmo se a resposta for sim, nao é la por causa disso que tudo passa a valer... As regras deverao ser definidas, e tudo isso vai passar por varios processos de elaboraçao de lei antes de ser permitido o aborto... Enfim, acho e espero... De quaquer forma tenho confiança na deontologia médica para pôr limites a essa pratica, como é o caso em todo o resto dos paises onde o aborto foi despenalisado.
Hum! Parece-me que o referendo desencadeou um problema familiar neste blogue... ;-)
Em todo o caso, caro José Ferrão, a pergunta que coloca à Susana Ferrão Santos (a Ferrão parece realmente ser uma família muito bem sucedida com representantes em muitos países diferentes!) poder-se-ia colocar também a respeito da liberdade de expressão, por exemplo. Não é por alguns fazerem desta um mau uso, fazendo apelo ou propagandeando o ódio, o racismo, o uso de armas, o sexo violento, a flatulência ou a Mac Donalds – estes dois últimos intimamente ligados, como é conhecido – que vamos deixar de defender o legítimo direito de... de facto o fazerem. Resta-nos, a bem das nossas consciências, da saudável convivência social e da saúde pública (quer por causa da flatulência, quer devido à MacDonalds) tentar garantir que aquilo que esses alguns propagandeiam não passe disso mesmo: propaganda e ideias (infelizmente, no caso do MacDonalds, já vamos tarde, mas é sempre possível reagir e tentar esclarecer os restantes!).
No caso do aborto, é preciso realmente fazermos o nosso melhor para que o acompanhamento psicológico seja uma realidade e para que casos tão extremos e surreais como o que apresenta não passem sem a devida resposta (ainda que, num caso como esse, fosse provavelmente melhor o bébé não nascer mesmo, em vez de crescer deformado por tal mente materna). Em todo o caso, o seu exemplo representa também uma acusação injusta de leviandade ao género feminino que estou seguro que não toma como norma.
Amigo roberto gorjão É sempre agradável encontrar caras novas neste quintal, e logo hoje é a segunda que aparece! O exemplo das férias circulou noutro fórum, e foi atribuído não a um caso, mas a um dos critérios que a imprensa ... holandesa colocou em causa para a prática corrente do aborto. Mas sabe, se por acaso o aborto for para a frente, não acredito mesmo nada nas psicologias que pretendem inventar para dourar a pílula. Pois se nem para os malucos há psicólogos, quanto mais agora para as grávidas! De qualquer modo a ideia é entregar os abortos ao privado, tal como estão a fazer ao resto da saúde, à educação e a tudo o mais, e aí cada um que pague as suas maluqueiras. Sinto-me satisfeito por ter impedido que esta página se convertesse num feudo do SIM, e com a convicção de que aquilo que os meus adversários escreveram reverteu mais para o meu lado do que para o deles: já tive o cuidado de lhes agradecer por isso. Quanto ao problema familiar, pelo menos da minha parte não foi nenhum, a única coisa que lamento é não ter sido acompanhado por mais ninguém, mas valeu pela experiência, pode ser que numa próxima ocasião a contagem das espingardas resulte mais equilibrada. de qualquer modo sito-me muito mais à vontade na posição de "um contra todos" do que em ser mais um a malhar no ceguinho... aposto que foi por isso que não se juntaram mais vozes ao outro lado, porque não dava a mesma luta.
De qualquer modo, o meu muito obrigado a todos os que participaram... e aos que leram as minhas linhas!
42 Comentários:
Ai,ai,ai
Muito queriam vocês
Uma mão mais pesada do que a minha
Lamento
Homens e mulheres
E mulheres de todo o mundo
Rua!
Mãe, fica
Aqui
Nós não temos
De temer
A escrita do
Nosso dia-a-dia
Obrigado!
Segunda-feira
Eu volto.
Um dia
Choro, noutro
O raios do cinto
Raspa aqui tão
Próximo.
Óóóóóóóóóóó.....
Que coragem, que integridade têm estes "anónimos" todos!
Magda Reprezas
O meu voto não te incomoda,
porque as minhas razões foram justificadas por escrito, e aceites por ti por omissão de resposta.
Incomoda-te que o teu voto me aborreça,
porque sabes que deixaste as tuas razões sem justificação, reduzindo a racionalidade da resposta à força bruta das urnas.
Esse incómodo, é o mesmo incómodo que a grávida vai sentir quando disser "porque sim".
E já agora cuidado no tratamento dos "anónimos todos":
pelo menos da minha parte, não é a outros que eu me dirijo ao escrever os meus artigos.
(José Ferrão)
Afinal isto é só para quem lê, ou é só para quem escreve?
Quem não quer sustentar a força bruta das urnas, abstem-se. Se vota, participa porque acredita na seriedade do método, ou mais vale não ir lá.
Se eu suspeitasse que ia responder com uma cruz a alguma coisa que não estivesse na pergunta, era o que eu faria.
O tratamento dos anónimos foi instintivo: eles têm uma relação vertical.
Não acredito na seriedade do método, mas apenas das consequências.
Depois de me dizerem que o nosso dinheiro não chega para os blocos de parto, não consigo engolir que afinal chega para os blocos de aborto.
Ao menos o parto não tinha psicologia nenhuma, ao passo que o aborto ainda vai meter psicologia, educação e não sei que mais.
Não seria muito mais simples em vez de abortar este filho, aplicar essa psicologia e educação só para evitar o próximo filho?
O problema é que, ironia das ironias, nunca vi nenhuma mãe que ao olhar para o seu filho, fosse ele desejado ou não, lhe dissesse: "quem me dera ter-te abortado logo, que só vieste foi para desgraçar a minha vida!".
Ola a todos !
Estive a ler com atençao o que se passa aqui no blog acerca do referendo. E devo dizer, com muito interesse… Vocês estao todos tao longe, é bom ver-vos « mexer » de vez em quando… E ainda por cima, vocês apresentam todos um nivel de discussao muito profundo sobre este tema gravissimo. E mesmo muito interessante. Aqui na Belgica o aborto foi legalisado até às dez semanas de gravidez, sem haver consultaçao do povo… Nao sei se isso é mau (nao haver referendo)… Foi também o que aconteceu em França. Uma coisa é certa, quando contemplo estes dois exemplos : o numero de abortos voluntarios NAO aumentou de maneira dramatica. Aumentou sim, mas de forma ligeira, e se se tem em conta a sub-estimaçao dos abortos antes da lei passar precisamente porque eram feitos de forma ilegal, na minha opiniao, nao se pode falar de uma verdadeira mudança de comportamento das mulheres…
Uma coisa que me parece clara é que, desde o inicio do debate entre vocês, houve uma avalanche de argumentos para defender um lado ou outro mas ninguém mudou de opiniao… Sera que é possivel convencer alguém a votar sim quando pensava votar nao, ou vice-versa ? Eu acho que o que vocês irao escolher no domingo vai ser o reflexo de tudo o que ja viveram… Todas as situaçoes da vida que lhes tocaram de uma forma ou de outra e que fizeram a vossa opiniao no dia de hoje. Ninguém nasce a saber o que é ou vale a vida, nem o que é ou vale a liberdade. Nem ninguém nos ensina, de maneira formal, a partir de quando é que um conjunto de celulas começa a ser um ser humano e a ter os direitos de todos os outros seres humanos… Sao questoes que ficam indefenidas até ao dia em que nos é pedido de nos definir quanto a elas. Entao, acho que nao ha uma so resposta certa. Se houvesse, alguém entre voçês ja tinha mudado de opiniao… Eu ca tive de refletir sobre essa questao quando comecei a estudar ginecologia… E nao é nada facil… Mas por enquanto, e porque a minha opiniao e a soma da minha experiencia, eu sou a favor do SIM, devemos despenalizar o aborto. Porque o que eu aprendi em medecina, é a tratar o paciente que tenho na frente da melhor forma possivel e sempre sem ir contra as minhas crenças pessoais. A minha crença pessoal é que o conjunto de celulas começa a ser humano a partir do momento em que alguém tem um projecto de vida para ele. Entao porquê um limite de 10 semanas para abortar ? Nao sei… Sei que teria horror em cometer esse acto num fetus de 8 meses… Porquê ? Nao sei… Se calhar porque a partir desse momento também eu começo a ter um projeto para ele… Porque ja nao faz nenhuma duvida saber se ele é humano ou nao, entao a pergunta perde o fundamento… Acho que uma mulher normal dà-se conta, dentro do lapso de 10 semanas, que esta gravida. E entao, vem a pergunta : sera que eu posso ser mae ? Talvez que depois de 10 semanas, se a duvida aida subsiste, é porque se calhar ha uma hipotese de ser mae, na mente da mulher… e nesse caso é preciso dar todo o apoio à vida… Isto é para responder a uma das MUITO dificeis perguntas do campo do NAO… enfim, é uma tentativa, é o que eu tenho de mais sincero e menos politizado...
Uma coisa que me aborrece, Zé, é quando tu falas de maneira tao crua do raio da mulher que nao quis pôr preservativo ou o raio da mulher que ja vai no décimo aborto, so mesmo para chatear o contribuinte ao fazê-lo pagar por isso… Nao é assim… nao é ! Abortar é traumatisante (e até mesmo para o médico !) ! Ninguém o faz por prazer… Quem o faz é porque nao tem outra alternativa… E para ter a certeza disso, é indispensavel acompanhar o aborto por uma consulta prévia em psicologia e por um acompanhamento social eficaz… (procura de outras soluçoes como por exemplo dar o bébé a pessoas que o queiram…) Mas nao podes fechar os olhos sobre a miséria que acompanha uma gravidez nao desejada… miséria para a mulher, miséria para a criança, miséria para a sociedade… Nao digas que nunca viste essa miséria, que eu nao acredito… Se nunca ouviste uma mae dizer que preferia nao ter tido o seu filho ou filha, é porque uma mensagem tao escabrosa e chocante simplesmente nao se pode dizer na nossa sociedade… nao pode chegar aos teus ouvidos porque tu nao estas na posiçao de o ouvir… mas podes ter a certeza que dentro de um gabinete de médico ou de psicologo ou até de ajudante social… ja vem ao de cima…
Mais uma vez, obrigada a todos pelo vosso debate tao profundo e cheio de humanidade…
Um beijo para todos
Susana
PS : desculpem o meu português tao reles e sem acentos…
Olá Susana,
Agrada-me saber que a nossa fofoca ultrapassa o circuito fechado dos que se têm expresso sobre este tema.
Desculpa às vezes a maneira mais crua como digo as coisas, mas trata-se de uma simples questão de economia: é muito mais breve e sugestivo dizer "Ai" do que dizer "dói-me aqui...".
Não sei se chegaste a ler o último comentário que deixei ontem à Elisabete, mas tu como médica estás em óptima posição para te pronunciares sobre ele.
Olha, para não perderes tempo a procurar, foi no "Só para lembrar" da Elisabete.
Estava eu a dizer que o aborto é uma manipulação de um estado transitório em que a mulher se encontra, e que pode despertar sentimentos de rejeição que eu considero que são temporários.
Fico a aguardar resposta.
Obrigado.
Olá Susana!!!!
Bons olhos te leiam.
Há tanto tempo...
Vale a pena discutir nem que seja só para tu apareceres.
Fala com o meu pai para começares a editar posts aqui no ferrão.org
Um grande beijinho :)
Jorge
Ola Zé, ola Jorge!
Zé, eu vou responder no post "so para lembrar" mas posso ja dizer duas coisas:
Primeiro, quando eu digo que a forma é crua nao é so porque ofende os meus ouvidos delicados, é porque eu acho que nao se pode fazer a economia de dar espaço à duvida... quero dizer, julgar os outros é demasiado facil, mas tao facilmente nos enganamos porque temos a vista a ocultar tanta coisa...
Segundo, é verdade que ha sentimentos de rejeiçao transitorios. E por isso que o acompanhamento psicologico é crucial! Muitas vezes um espaço de discussao livre e pacifico pode levar a mulher a ver as coisas sob um angulo menos dramatico, mais realista... Acompanhamento que certamente nao faz parte do menu quando uma mulher é obrigada a ir ver um cenro de aborto clandestino...
Desculpa lá Susana, não queria de todo entrar em polémica contigo, mas acabo de ver um vídeo com testemunhos de mulheres americanas que abortaram "no legal"...
Bom, acho que não vale a pena estar a descrever, basta ir ao YouTube e escrever aborto, há para lá vídeos para todos os gostos, e por lá aquilo é que nem fábrica de salsicha, vais tu e mais outras trinta no mesmo dia, aquilo é cá cada psicologia...
Ok, se calhar.. de qualquer forma nao tenho fé nenhuma na qualidade do sistema social americano...
MAs aqui na Belgica, as coisas sao diferentes, nao ha fabricas de salsichas e a consulta psicologica previa é uma obrigaçao por lei... assim é melhor nao?
Olá Susana,
bem vinda ao nosso cantinho.
Leio com muito prazer as linhas que escreves. Ficas desde já convidada a publicar um artigo no ferrao.org :)
Beijinhos,
Lucio
Eu não sei como é a lei americana, mas pelo que elas dizem parece que têm que responder qualquer coisa à psicóloga...
De qualquer modo, aqui o referendo como está feito também não fala em psicologia, e tu se achaste a minha descrição um bocado crua, esta pergunta então nem se fala!
Neste mesmo blog podes encontrar a maneira como está formulada, e já agora sem querer abusar da tua formação médica, deixa-me perguntar o seguinte:
Qual seria a tua resposta em consciência pessoal (sim ou não) se uma mulher te ordenasse, por sua única e exclusiva vontade, na qualidade de médica "em estabelecimento de saúde legalmente autorizado", que lhe fizesses um aborto porque ela tinha que ir para férias?
E à luz do regime belga, qual deveria ser a tua atitude?
Repara que o acompanhamento que tu dizes que não faz parte do menu do aborto clandestino, tão-pouco figura na pergunta em referendo...
Zé: "Qual seria a tua resposta em consciência pessoal (sim ou não) se uma mulher te ordenasse, por sua única e exclusiva vontade, na qualidade de médica "em estabelecimento de saúde legalmente autorizado", que lhe fizesses um aborto porque ela tinha que ir para férias?"
Da mesma forma como eu nao aceito de prescrever calmantes a alguém so porque lhe dà na gana, também (e com muito mais razoes) nao aceito praticar um aborto so porque deu na gana da mulher de ir de férias... Espero nunca chegar a ser manipulada pelos meus pacientes a esse ponto... Infelizmente os casos reais nunca sao tao simples como o caso que tu apresentas...
O acompanhamento psicologico é obrigatorio e aplicado aqui na Belgica mas como disse, a questao do aborto nao foi referendada. Foi votada... Acho que ai em Portugal, mesmo se a resposta for sim, nao é la por causa disso que tudo passa a valer... As regras deverao ser definidas, e tudo isso vai passar por varios processos de elaboraçao de lei antes de ser permitido o aborto... Enfim, acho e espero... De quaquer forma tenho confiança na deontologia médica para pôr limites a essa pratica, como é o caso em todo o resto dos paises onde o aborto foi despenalisado.
Hum! Parece-me que o referendo desencadeou um problema familiar neste blogue... ;-)
Em todo o caso, caro José Ferrão, a pergunta que coloca à Susana Ferrão Santos (a Ferrão parece realmente ser uma família muito bem sucedida com representantes em muitos países diferentes!) poder-se-ia colocar também a respeito da liberdade de expressão, por exemplo. Não é por alguns fazerem desta um mau uso, fazendo apelo ou propagandeando o ódio, o racismo, o uso de armas, o sexo violento, a flatulência ou a Mac Donalds – estes dois últimos intimamente ligados, como é conhecido – que vamos deixar de defender o legítimo direito de... de facto o fazerem. Resta-nos, a bem das nossas consciências, da saudável convivência social e da saúde pública (quer por causa da flatulência, quer devido à MacDonalds) tentar garantir que aquilo que esses alguns propagandeiam não passe disso mesmo: propaganda e ideias (infelizmente, no caso do MacDonalds, já vamos tarde, mas é sempre possível reagir e tentar esclarecer os restantes!).
No caso do aborto, é preciso realmente fazermos o nosso melhor para que o acompanhamento psicológico seja uma realidade e para que casos tão extremos e surreais como o que apresenta não passem sem a devida resposta (ainda que, num caso como esse, fosse provavelmente melhor o bébé não nascer mesmo, em vez de crescer deformado por tal mente materna). Em todo o caso, o seu exemplo representa também uma acusação injusta de leviandade ao género feminino que estou seguro que não toma como norma.
Obrigado pelo comentário Roberto.
Gostei da analogia com a liberdade de expressão.
Amigo roberto gorjão
É sempre agradável encontrar caras novas neste quintal, e logo hoje é a segunda que aparece!
O exemplo das férias circulou noutro fórum, e foi atribuído não a um caso, mas a um dos critérios que a imprensa ... holandesa colocou em causa para a prática corrente do aborto.
Mas sabe, se por acaso o aborto for para a frente, não acredito mesmo nada nas psicologias que pretendem inventar para dourar a pílula. Pois se nem para os malucos há psicólogos, quanto mais agora para as grávidas!
De qualquer modo a ideia é entregar os abortos ao privado, tal como estão a fazer ao resto da saúde, à educação e a tudo o mais, e aí cada um que pague as suas maluqueiras.
Sinto-me satisfeito por ter impedido que esta página se convertesse num feudo do SIM, e com a convicção de que aquilo que os meus adversários escreveram reverteu mais para o meu lado do que para o deles: já tive o cuidado de lhes agradecer por isso.
Quanto ao problema familiar, pelo menos da minha parte não foi nenhum, a única coisa que lamento é não ter sido acompanhado por mais ninguém, mas valeu pela experiência, pode ser que numa próxima ocasião a contagem das espingardas resulte mais equilibrada.
de qualquer modo sito-me muito mais à vontade na posição de "um contra todos" do que em ser mais um a malhar no ceguinho... aposto que foi por isso que não se juntaram mais vozes ao outro lado, porque não dava a mesma luta.
De qualquer modo, o meu muito obrigado a todos os que participaram... e aos que leram as minhas linhas!
Problemas familiares????
Também aqui não há nenhum.
Zé:
O problema é que não és um contra todos. Há por aí muitos como tu. Da última vez até ganharam, lembras-te?
Afinal, quem é o ceguinho? ;)
http://expresso.clix.pt/COMUNIDADE/forums/thread/27937.aspx
Referia-me à população deste quintal.
Como vês, por pouco ganhavam de novo...
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