Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

A carne e o peixe

Certo dia, indo almoçar fora decidi dar a palavra aos meus filhos: querem encomendar carne ou peixe?
Eles começaram a discutir, mas como eu preferia a carne resolvi dar uma ajuda: olhem que a carne é com batata frita, ao passo que o peixe vem com batata cozida; além disso, se pedirem carne eu mando vir musse de chocolate, senão é a fruta da época.
Quando já estávamos a arrotar ao refogado, apareceu o empregado a pedir imensa desculpa por não estar lá escrito que as batatas eram de pacote, e que além disso a musse já tinha acabado.
Eu respondi que não fazia mal, virei-me para a minha mulher e disse-lhe: eu não te dizia que eles iam escolher carne?
Ao que ela me respondeu: está bem, eu ainda lhes disse que o peixe era mais saudável, mas como tu é que tens o dinheiro, não pude fazer promessas nenhumas...

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2 Comentários:

At 15:48, Blogger Jorge Ferrão disse...

Mudámos de táctica...
O. K.

Certo dia, uma mulher, sabendo que ia ser considerada criminosa se manifestasse publicamente a sua vontade de abortar, resolveu num acto de desespero, tomar uns comprimidos que a mandassem para os anjinhos, juntamente com o SEU problema. Só que correu mal...

 
At 23:35, Blogger José Ferrão disse...

Está bem, Jorge, então lá vai o resto da história, e comecemos pelo fim.
Quando escolhi os marcadores, tive o cuidado de omitir o "socialismo" apenas por uma questão de respeito pelas "outras" sensibilidades que se movimentam neste blog.
Mas na realidade, o referendo foi mais uma lição de socialismo, puro e duro, do que outra coisa qualquer.
Se a maioria absoluta que nos governa quis convocar o referendo, foi apenas com um único objectivo: procurar mascarar a alteração à lei do aborto como uma opção "democrática" da população, limitando a participação da elite governante ao papel de execução dessa decisão.
No entanto, as contas saíram-lhe furadas e a simples formulação das promessas de um governo em funções, contra a coligação adversária que não tinha estatuto para prometer o que quer que fosse, constituiu o reconhecimento público da derrota das suas razões. A partir daí, o referendo deixou de ter o significado de consulta pública e a falta de poder vinculativo resultante da abstenção foi apenas a confirmação desse mesmo facto.
O parlamento levou a questão ao voto popular, e o voto popular limitou-se a devolver a questão aos partidos e nada mais.
A lei que vier a surgir não terá mais valor do que o que resultar do empenhamento de cada um dos partidos na sua aprovação. Caiu por terra, o objectivo de referendá-la com o voto popular, e cada um dos partidos há-de assumir perante o seu eleitorado, as responsabilidades que lhe couberem, para o bem e para o mal, acerca da evolução dos números do aborto.
Que era precisamente o que os socialistas não queriam, pretendendo antes branquear as suas culpas na legitimidade do voto popular.
Finalmente, quanto às "coitadinhas" das grávidas que entendem que o aborto é o remédio para todos os seus males, apenas te posso dizer que coitadinhos há muitos, e não é por isso que se lembram de fazer referendos para cada um deles; só entre os sem-abrigo, por exemplo, cada um deles tem uma história diferente para contar, mas quando se fala deles a única coisa que ocorre é fazer pedinchisses acerca de onde é que virá a próxima sopa que eles hão-de comer, quando isso para eles é o que menos conta. O que conta para eles, e isso é que é políticamente incómodo falar, é saber como é que eles foram parar àquela situação, e como é que cada um de nós se deve comportar para não vir a engrossar o seu número.

 

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