Terça-feira, Janeiro 23, 2007

Paul Graig Roberts - Só a impugnação pode evitar mais guerra

Paul Craig Roberts foi Secretário adjunto do Tesouro na Administração Reagan. Foi editor associado da página editorial do Wall Street Journal, e editor convidado na National Review.
É co-autor de The Tyranny of Good Intentions. Pode ser contactado pelo endereço PaulGraigRoberts@yahoo.com
Todos sabemos que a "nova vaga" de Bush para o Iraque não vai resultar. Até os autores do plano, os neoconservadores Frederick Kagan e Jack Keane, realçaram que o plano não daria resultado com um acréscimo de tropas dos EUA inferior a 50000 homens e um prolongamento dos combates por mais três anos. Bush acrescenta apenas 40% deste número e o Secretário da Defesa Gates fala em terminar esta operação no final do próximo Verão.

A 18 de Janeiro, um painel de generais reformados classificaram o estrondoso plano de Bush como "um erro louco". Até o habitualmente dócil público americano sabe que este plano não funcionará. Uma sondagem da Newsweek de 20 de Janeiro mostra que apenas 23% do público apoia o envio de mais tropas para o Iraque e que o número de americanos que apoia os democratas é duas vezes superior àquele que apoia Bush.

A maioria dos americanos (54%) acredita que Bush não é honesto nem ético e 57% acredida que Bush é destituido de "qualidades fortes de liderança."

No entanto Bush insiste no seu plano de "nova vaga", tendo declarado na semana passada a um grupo de estações televisivas: "Eu acredito que resultará."

Mas Bush está certo - claro que dará resultados. Temos que examinar os termos precisos em que dará resultados. Não significa que as 21500 tropas adicionais tragam ordem e estabilidade ao Iraque. A vaga resultará, porque desvia a atenção do verdadeiro jogo do regime de Bush.

Dois grupos de navios de ataque foram enviados para o Golfo Pérsico. Os países vizinhos, produtores de petróleo, estão a receber anti-mísseis dos EUA para se defenderem de mísseis do Irão, caso os EUA não consigam destrui-los a todos. Há pilotos israelitas preparados para atacar o Irão. A doutrina de guerra dos EUA mudou, de maneira a permitir ataques nucleares preventivos contra países não-nucleares. Foram enviados aviões de combate para as bases da Turquia. Um almirante neoconservador que participa nos eventos da Conferência para os Assuntos Israelo-Americanos (AIPAC) foi promovido a comandante-em-chefe das forças do Médio Oriente. É obvio que as forças estacionadas no Iraque e no Afganistão já não constituem o cerne das novas movimentações militares de Bush. Bush está agora empenhado em atacar o Irão.

No Couterpunch (16 de Janeiro), o Coronel Sam Gardiner informou que o regime de Bush incumbiu um grupo dirigido por elementos do Conselho Nacional de Segurança de fomentar e manter activas operações de hostilidade contra o Irão. O Coronel Gardiner deu pormenores sobre as etapas da escalada e identificou os preparativos que assinalariam o ataque eminente ao Irão, tais como "o envio de aviões-cisterna da Força Aérea (USAF) para lugares pouco habituais, como a Bulgária" de modo a colocá-los em posição de reabastecimento em vôo dos bombardeiros B-2 na sua rota para o Irão.

Tanto Michel Chossudowsky (ICH, 17 de Janeiro) como Jorge Hirsch (Counterpunch, 20 de Janeiro) recolheram recentemente provas que o regime de Bush está a orquestrar uma crise no Irão que pode conduzir ao uso da força nuclear no ataque a este país.

Activistas pelas liberdades civis que têm observado a concentração de poderes ditatoriais promovidas pela presidência prevêm que esta guerra contra o Irão, especialmente se as temíveis armas nucleares foram usadas, será acompanhada pela declaração do estado de emergência. O regime de Bush usará a declaração do estado de emergência para alcançar arbitrariamente maior poder em nome da protecção dos "interesses da segurança nacional" e da protecção dos cidadãos americanos contra o "terrorismo".

Ao se avolumarem os crimes contra a Constituição dos Estados Unidos, os dissidentes serão dissuadidos e todos os americanos ficarão com medo de exprimir - ou mesmo de pensar - a verdade. Representará isto a destruição dos direitos civis que protegem a livre expressão, a discordância e a detenção arbitrária por tempo indefinido sem acusação que abra o acesso à justiça.

O Congresso perde um tempo precioso com resoluções não limitativas e debates sobre cortes no financiamento à guerra. O regime de Bush está a arrastar o país para a guerra e a torná-lo num estado policial. Em Slate, Dahlia Lithwick escreveu que um dos principais objectivos da chamada "guerra ao terror" (essencialmente uma misatificação propagandística) é a de expandir sem limites o poder executivo. Este é um objectivo longamente acalentado pelo Vice-Presidente Chenney e pelo seu chefe de gabinete, David Addington. É também o propósito mais importante da "conservadora" Sociedade Federal, uma organização de advogados republicanos de onde saem as nomeações judiciais do Partido Republicano.

A opinião pública americana está a ser manipulada. Em nome da "protecção da liberdade e da democracia americana", o regime de Bush atropela ambos e ignora tanto o público como o Congresso, prosseguindo a sua catastrófica política que apenas tem o apoio do próprio regime e de uma dúzia de loucos e poderosos neoconservadores.

Nada pode parar o regime senão a impugnação de Bush e de Cheney. Esta é a última oportunidade da América.
Tradução do artigo:
Only Impeachment Can Prevent More War
publicado em 22 de Janeiro de 2007 por Counterpunch.

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