O referendo de 11 de Fevereiro de 2007
Se os nossos deputados e governo, na generalidade, tivessem tido a coragem suficiente para enfrentar o problema da despenalização do aborto, nós não iríamos gastar mais um tanto, que até nem sei quanto será, para realizar mais este referendo. Afinal não há falta de dinheiro? Ou o país está folgado?
À pergunta: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" eu vou responder SIM. Não porque ache que seja bom abortar mas porque considero que responder a favor da pergunta vai:
- contribuir para alterar uma situação de absoluta hipocrisia;
- pôr fim a julgamentos e penas de prisão absolutamente arcaicos;
- criar mais justiça social, pois a actual lei penaliza as mulheres e as jovens das camadas mais desfavorecidas que, sem recursos financeiros, sofrem as consequências do aborto clandestino e inseguro.
Não defendo o aborto, defendo uma sociedade mais justa e menos hipócrita pois sabemos que, entre 1996 e 2002, 9 mil portuguesas se deslocaram a clínicas espanholas para aí abortarem.
É preciso saber também que:
nos hospitais do continente entre 2001 e 2005 foram identificadas:
2 929 interrupções da gravidez ao abrigo da actual lei;
5615 situações por complicações resultantes de aborto clandestino;
28 545 entradas em resultado de aborto considerado espontâneo...
Posso acrescentar, ainda, que o Parlamento Europeu, na sua Resolução de 3 de Julho de 2003 recomendou: "que, a fim de salvaguardar a saúde reprodutiva e os direitos das mulheres, a interrupção voluntária da gravidez seja legal, segura e universalmente acessível" exortando os governos "a absterem-se em qualquer circunstância, de agir judicialmente contra as mulheres que tenham feito abortos ilegais".
Se os nossos governantes estivessem, de facto, preocupados com o aumento de natalidade do país, não teriam retirado o subsídio por nascimento e criariam condições favoráveis aos casais com mais de 2 filhos; favoreceriam os núcleos familiares, permitindo descontos no IRS por cada filho aos casais tal como fazem às famílias monoparentais, promovendo, deste modo, a estabilidade da nossa sociedade.
Essas deveriam ser as suas reais preocupações e não fingir que estão muito preocupados com crianças que poderiam nascer para depois serem dadas para possível adopção sem lhes proporcionar condições adequadas de existência.



3 Comentários:
Tantos abortos espontâneos? Deve ser destas alterações climáticas bruscas!
O calor dilata os corpos...
Mmmmmmmmmmmmm...por isso é que o Bush já está mais preocupado com o protocolo de Kyoto, só pode ser por causa do estranho surto de abortos espontâneos em Portugal!
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