Neil A. Lewis - Ataque às firmas de advogados

O oficial do Pentágono responsável pelos detidos militares suspeitos de terrorismo disse, em entrevista, que estava consternado com o facto de muitas das principais firmas de advogados estarem a representar detidos da baía de Guantânamo, Cuba, e que os clientes empresariais dessas firmas deveriam terminar as suas ligações com elas.
Estes comentários de Charles D. Stimson, o procurador adjunto do secretário da defesa para os assuntos dos detidos, desencadearam uma torrente de respostas por parte de advogados, especialistas em ética do Direito e dirigentes de associações de Justiça, que disseram sexta-feira que tais declarações são repelentes e demonstram ignorância àcerca da função dos advogados na representação de pessoas com problemas legais.
"Isto é prejudicial para a administração da Justiça", disse Stephan Gillers, um professor de Direito na Universidade de Nova York e uma autoridade em ética legal. "É possível que aquilo que os advogados têm largamente aceite como uma ocupação digna comece a ser rejeitado devido a receios de problemas com clientes importantes".
"Há um funcionário superior do Estado que sugeriu que a defesa desses detidos comprometia de alguma forma os interesses da América, tendo mesmo indicado os nomes das firmas, oferecendo assim um alvo para as empresas americanas".
O Sr Stimson fez estas observações num entrevista na quinta-feira à Federal News Radio, uma estação local de Washington destinada a funcionários públicos.
O mesmo ponto de vista foi retomado na sexta-feira pelo editorial do The Wall Street Journal, no qual Robert L. Pollock, um elemento do corpo redactorial, apresentou uma lista de firmas de advogados e mencionou um anónimo "oficial superior dos Estados Unidos" como tendo declarado que "os presidentes das administrações das empresas que encarem estas firmas devem obrigá-las a escolher entre negócios lucrativos ou representação de terroristas."
Tradução da parte inicial do artigo:
Official Attacks Top Law Firms Over Detainees
publicado no The new York Times em 12 de Janeiro de 2007
Etiquetas: direito, liberdades e garantias



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