Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Inventem-se novos psiquiatras

No programa Prós e prós de ontem lá voltámos a ouvir a mesma cassete acerca das mudanças que o mundo tem sofrido nos últimos trinta anos. Tudo o resto muda, mas a distância da Terra ao Sol e a cassete continuam a ser sempre as mesmas.

É o mesmo professor universitário, agora na versão filósofo, o mesmo médico do hospital Sta Maria, o mesmo consultório particular, e a nossa comunicação social não consegue promover um debate que trate da saúde à juventude sem se sentir obrigada a reservar um lugar para aquela figura.

Nunca se ouviu um reparo acerca das mazelas de todas aquelas instituições; enquanto o doente se esforça por rebuscar a mais remota das recordações de infância, o doutor não se conforma com as aulas "expositivas" que estão a decorrer no ensino secundário.

O doutor não se sente nada incomodado pelo facto da Medicina dos nossos dias ainda não ter conseguido transplantar um feto humano duma barriga para outra; pelo contrário, isto da Medicina é só sucessos atrás de $uce$$os, o único insucesso dos nossos dias é o insucesso escolar, mas isso ele garante que não é professor do básico, mas apenas do Superior, onde o sucesso escolar é de tal ordem que andam 900 médicos já licenciados há 9 meses, que estão à espera de ser colocados no Internato por causa de um simples erro informático.

Depois de ouvir todos os dirigentes das juventudes partidárias a queixarem-se, mais do que da falta de perspectivas, da falta de empregos, fiquei com mais admiração pelo cantor de "rap" que fechou o programa, do que pela cassete: pelo menos, o cantor conseguiu dar ocupação aos jovens da sua banda, ao passo que o doutor, mesmo com o irmão na Presidência da república, nunca conseguiu subir a Ministro da educação para colocar em prática as suas ideias peregrinas.

Se eu quisesse corrigir a nossa juventude, ter-me-ia colocado no lugar do professor e, numa acção didáctica, ter-lhes-ia oferecido o exemplo da minha acção; isso é que era um serviço público, e na direcção certa, e teria com certeza ficado a ganhar a admiração de alunos e professores. Assim, ao colocar-se no lugar dos alunos de uma sala de aula, nunca conseguiu fazer outra coisa senão constituir-se em arma de arremesso ao serviço daqueles que preferem deitar as culpas do insucesso escolar para cima dos professores do que proceder da maneira como os professores ensinam, que é analisar uma a uma as medidas que foram tomadas pelos ministros anteriores, e tirar conclusões credíveis acerca de quais foram os passos que foram dados na direcção certa e quais foram os passos que conduziram a resultados contrários.

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