Domingo, Janeiro 07, 2007

Homens, francamente...

Antes da mulher dar à luz, o companheiro não é pai.
O companheiro tem uma mulher com barriga e suspeita ter alguma coisa a ver com o assunto.

A única coisa que segura o feto à vida é a mulher. Vamos então sentá-la no banco dos réus a explicar porque teve vontade de terminar com essa situação? NÃO!

Se tivesse de prender uma mulher por matar um filho, este teria pelo menos de já ter nascido.
Até lá, o assunto é da inteira competência do seu responsável máximo - a mulher.

O PS está mandatado por sufrágio directo para alterar esta lei que não presta. Não precisa de fazer muitas perguntas a quem já disse o que pensa no acto das eleições.

As mulheres, individualmente, devem ter autonomia sobre o assunto ABORTO. Se o homem não está satisfeito sobre o modo de actuar ou de pensar da sua cara-metade, sempre pode escolher outra.

A riqueza e diversidade da vida contempla também adversidades que não cabem numa Lei. A Lei não é mais forte do que a Natureza, nem o são os legisladores.

Podem treinar com coisas mais simples do tipo, fazer cumprir o limite de 50Km/h dentro das localidades. Irão concerteza salvar mais embriões, fetos e futuras gerações em potência.

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10 Comentários:

At 17:40, Blogger José Ferrão disse...

"As mulheres, individualmente, devem ter autonomia sobre o assunto ABORTO"

Olá Jorge,
Vou desculpar-te a enormidade da asneira desta frase com a tua tenra idade, mas não posso deixar passá-la em claro.

Para já, o primeiro aborto não pode ter o mesmo significado do décimo, e portanto não está certo que o aborto venha a ser simplesmente "apagado" do cadastro individual, tratando-o da mesma maneira como se fosse o registo médico de uma doença transmissível.

Mas não sou professor de moral nem padre para andar aqui a tentar influenciar a maneira de pensar de cada um.

O que me leva a intervir neste debate é outra coisa, e muito mais concreta do que isso; realmente à primeira vista o assunto é das mulheres, desde que não seja feito com o dinheiro dos meus impostos.

Eu até posso respeitar o egoísmo de uma mulher que prefere abortar ao 2º mês do que rejeitar o filho depois de andar a mostrar a barriga durante 7 meses, mas tudo isso desde que ela também venha a respeitar o meu próprio egoísmo.

E qual é o meu egoísmo? Desculpa lá a franquesa, mas se a única alternativa que me proporcionam é ajudar a pagar o banco dos réus, ou ajudar a pagar o banco de abortos, então nesse caso como dono do dinheiro dos meus impostos que sou, prefiro aquilo que já temos do que a alternativa que me querem impingir.

O que eu não quero, é uma legislação que venha a falar grosso quando se trata de punir uma pessoa que partiu uma máquina de venda de preservativos, mas que depois se presta a pagar à mesma mulher dois ou três abortos no mesmo ano, cada um deles a custar ao erário público pelo menos o custo de uma máquina.

E já agora a propósito de "Não precisa de fazer muitas perguntas a quem já disse o que pensa no acto das eleições", o que este governo mais gostava era de conseguir embrulhar a IVG com a mesma limpeza com que embrulhou a despenalização do cheque, mas infelizmente não está a ser assim tão fácil.

 
At 20:43, Anonymous Jorge Ferrão disse...

"(...)ajudar a pagar o banco dos réus, ou ajudar a pagar o banco de abortos, então nesse caso como dono do dinheiro dos meus impostos que sou, prefiro aquilo que já temos(...)"

Olá Zé,
Vou desculpar-te em conformidade mas julgo que a pergunta do referendo não é bem assim...

Não queres pagar o banco de abortos, eu aceito, agora, preferir pagar o banco dos réus é uma opção própria e não uma obrigatoriedade!

Toda a saúde deve ser tratada nos hospitais.

Jorge

 
At 21:18, Blogger José Ferrão disse...

"é uma opção própria e não uma obrigatoriedade!"

Desculpa Jorge, mas se fosse assim, não era preciso o referendo.

Quando e Estado promove um referendo, é precisamente para perguntar aos contribuintes como é que eles preferem ver gastar o dinheiro dos seus impostos.

O problema aqui, é exactamente porque não existe a opção de deixar de condenar a mãe, por fazer o aborto, ou o contribuinte, por aceitar reduzir o aborto a uma questão de saúde.

A realidade é que não existe meio termo: ou se é "mau" para uns, ou então é-se "mau" para outros, ou seja neste caso para todos.

Tu dizes que aceitas que eu não queira bagar o banco de abortos, mas logo a seguir remetes esses mesmos abortos para os hospitais, que são pagos pelo estado, e então em que é que ficamos?

Vais-me dizer que todos os contribuintes que votarem Não vão poder reduzir os seus impostos na proporção dos gastos dos hostitais públicos?

Mas pelo menos já não estás tão à vontade a dizer que este assunto é das mulheres, e isso já é um passo em frente, e desta vez na direcção certa.

Relativamente à pergunta que tu destacaste, realmente não é essa que vão colocar no referendo, mas olha que a substância é exactamente essa.

Porque se a substância do referendo fosse uma simples questão do foro íntimo das mulheres, como por exemplo saber se se deve proibir as mulheres de usar calças, nesse caso aí sim, até eu concordava que apenas as mulheres deviam poder responder a esse referendo.

E aí é que está a mistificação deste referendo, porque pretende mascarar um problema que é de todos, com uma pergunta em concreto que pertence sim, ao foro íntimo das mulheres.

 
At 21:31, Anonymous Jorge Ferrão disse...

"Tu dizes que aceitas que eu não queira bagar o banco de abortos, mas logo a seguir remetes esses mesmos abortos para os hospitais, que são pagos pelo estado, e então em que é que ficamos?"

Aceito que tu não queiras, mas penso que assim é que deve ser.

 
At 22:25, Blogger José Ferrão disse...

Pronto Jorge, já vi que as tuas opções são diferentes das minhas.
Então agora vamos por um momento descer mais ao concreto. Eu pessoalmente, não conheço nenhum caso em que fosse justificável o contribuinte gastar o seu dinheiro nesta opção da mulher, mas mesmo assim vou contar-te dois casos.
O primeiro teve um final feliz: a mulher tinha tido um filho há dois ou três meses, quando voltou a engravidar e resolveu fazer uma "raspagem"; porém, quando já estava deitada na marquesa, achou que o marido estava a deitar olhinhos para a enfermeira, e então só para se vingar resolveu ter o bebé, que nasceu com saúde.
O segundo, foi mais dramático. A mulher engravidou quando estava a meio das obras de construção da sua vivenda, e entendeu que esse não era realmente o momento certo para ter o bebé, pelo que recorreu aos serviços de um médico indicado por uma pessoa amiga; passado um ano, voltou a engravidar e teve um filho saudável.

Como disse não conheço pessoalmente nenhum caso em que eu considerasse justificável o aborto, muito menos pago pelo estado, mas agora para falar no concreto deixa-me colocar-te a pergunta: tu achas que os hospitais públicos servem ou devem ser utilizados para se ocuparem destes casos?
Achas realmente que isto é "saúde pública"?

 
At 22:44, Blogger Jorge Ferrão disse...

Acho.

 
At 10:07, Blogger José Ferrão disse...

Repara, Jorge:
Eu, se o SIM ganhar, não tenho outro remédio senão andar a pagar os abortos alheios, quer queira quer não;
Ao passo que se o NÃO ganhar, não estou a obrigar ninguém a abortar.
Haverá sempre alternativas ao aborto clandestino, antes como depois de engravidar.
O que é que queres que eu faça? Que me ponha a dar educação sexual a uma mulher, que à noite vai "molhar a sopa" com o outro, que até já fica dispensado de se dar ao trabalho de comprar preservativos?

Nenhuma mulher é penalizada por se recusar a assumir os seus deveres parentais.
Quanto a mim, eu seria incapaz de responder: Acho (ponto final).

 
At 12:27, Blogger José Ferrão disse...

Se o aborto é clandestino, é porque a nossa sociedade oferece outras alternativas (o que não acontece com fetos mal-formados).
Se a mulher se recusa a aceitar essas alternativas, então é porque já possui um certo espírito crítico para fazer essa avaliação. Onde é que estava esse espírito crítico, há dois meses atrás?
Afinal é uma mulher, ou é um bicho?
Se é uma mulher, então que faça como toda a gente: assuma as suas opções com liberdade e independência, mas sem colocar os outros a pagar por elas.
Se é um bicho, então eu pergunto se estará em condições de a sociedade lhe entregar a palavra final, ainda por cima no preciso momento em que se encontra em estado de choque, ao saber que ficou grávida contra todas as suas expectativas?

 
At 21:30, Blogger Jorge Ferrão disse...

Se o sim vencer acontece isto, se o não vencer acontece aquilo e nisto devo basear a minha resposta?

Entendo que muita a gente se esforce por ver mais longe o resultado das suas acções, mas neste caso prefiro concentrar-me na questão da despenalização.

Se a pergunta fosse: "concorda em pagar com os seus impostos..." Então talvez eu visse esta discussão mais contextualizada.

Não é todos os dias que me pedem a opinião.
Para estar à altura deste desafio, vou... responder à pergunta!

 
At 23:12, Blogger José Ferrão disse...

...e já fizeste mais do que muita gente, e do que tu próprio estavas à espera quando escreveste o título desta crónica.
Pena tenho eu, de não encontrar argumentos sólidos que consigam desviar-me das minhas convicções.
Mas o ciberespaço é tão grande, que tenho a certeza que não vai acabar por aqui.

Até lá, deixo-te os meus agradecimentos por me proporcionares esta forma de me fazer ouvir acerca deste assunto.

 

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