Sábado, Janeiro 27, 2007

Carta aberta

Uma Conferência, duas associações, um centro e algumas equipas juntaram-se para me escrever uma carta.
A carta contém um questionário que eu não pedi, mas como vejo tantas mentes interrogativas, aqui vai.

À Conferência Episcopal Portuguesa
À Associação dos Médicos Católicos Portugueses.
À Associação Católica dos Enfermeiros e Profissionais de Saúde.
Ao Centro de Preparação para o Matrimónio.
Às Equipas de Nossa Senhora.

Não vos conheço. Não sei quem são. Contudo, a vossa propaganda terrorista intitulada "10 semanas 10 perguntas um exercício de amor", juntamente com o panfleto "razões para escolher vida" veio trazer à luz alguns aspectos mais obscuros da vossa demanda.

Andava eu preocupado com a vossa obstinação punitiva e penalizadora (visto ser este o tema do nosso querido referendo), dando voltas ingénuas para absorver tanta ânsia de poder quando li a vossa propaganda.
Afinal a Igreja está no caminho certo. O da honestidade. Honesta o suficiente para ser transparente.

Afinal o que Vos preocupa, não é de todo a mulher, ou o embrião a despenalização ou não. O que vos preocupa até já tem um nome acordado entre Vossas Excelências: "liberalização legalizada".

Não temam! Estamos em Portugal.
Com meia dúzia de jantares mais, estou certo que conseguirão fazer ver aos Senhores da Gasolina que também têm uma capacidade nata para instrumentalizar e monopolizar a vossa melhor amiga: A sociedade.

Da próxima vez que quiserem meter algo na minha caixa de correio, não se esqueçam de preencher o campo destinatário, senão, faço queixa à DECO. Publicidade não endereçada, aqui não! Obrigado.

Jorge Ferrão

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5 Comentários:

At 17:27, Blogger António Chaves Ferrão disse...

A igreja tem um longo curriculum de intromissão naquilo que é o mais irreprimível impulso da humanidade. Hoje já não se exprime tão liberalmente como chegou a fazê-lo, assim como já não consegue encostar qualquer um ao pelourinho para ser açoitado, ou à fogueira, etc. Vai renovando a linguagem ao sabor da capacidade de resposta da sociedade, porém, nada perdeu em sobranceria.

 
At 17:59, Blogger Jorge Ferrão disse...

Então acho que a sociedade está com fraca capacidade de resposta. Que é para não dizer, com medo.
A minha carta está jogada.

 
At 22:28, Blogger egocêntrica assimétrica disse...

Achei particularmente interessante uma expressão contida numa longa apresentação em power point que recebi por e-mail de uma minha conhecida, católica protestante (contra a despenalização do aborto, portanto):

"O que a mãe carrega no útero não é uma planta nem um animal."

Acho que é escusado continuar... (e intitularem-se "pró-vida" depois desta?) Ridículo.

 
At 22:35, Blogger Jorge Ferrão disse...

"pró-vida" do dá cá o meu!..
Quando primeiro se decide, e depois se procura parlapié para justificar o que em primeiro lugar, não foi ponderado, nota-se.
Votem o que quiserem. Quando pensarem em denunciar a mãe, irmã, prima, tia, filha, neta, namorada ou esposa, façam-me um favor e poupem na MINHA factura do IRS. Em vez de a mandarem para tribunal, dêem-lhe logo uma tareia como deve ser. É mais barato e deve servir para pôr a mulher no seu lugar(especialmente essas que têm a mania das impunidades).
Ponham lá isso em power point e tentem cativar o não.
Quanto mais claramente consigo ver estas falácias, mais nojo me metem.

 
At 21:45, Blogger Raúl Ferrão disse...

Heheheehhe...

 

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