O mar de todos nós

Este mar de prata que me toca, me reflecte a luz do Sol, fresco de Inverno, é meu, teu, nosso.
Sussurra-me histórias inimagináveis, conta-me casos passados e traz-me a força que deles emana.
Lambe-me os pés, retira-me dores, põe-me sal, dá-me o tempero certo para o dia.
Pulula de vida, embora não a veja. Apenas a suspeito porque sei que está repleto dela.
Água que tudo mistura, avança e recua; sobe aos céus e cai em locais diferentes. Depois, corre, escorre, infiltra-se, fica retida, transborda, dissolve substâncias que lhe servem de leito, continua... continua... e regressa ao lago de todos os mares, acrescentando o que traz.
Descansa agora, ronrona, suspira, reflecte novamente a luz do Sol, ora ouro ora prata. Vejo-o alternar cores, correr atrás de pessoas, num vai e vem frenético, salgar corpos injectando-lhes pitadas de vida e desmaiar ao fim do dia.
Mais tarde farei parte dele, serei mar também e contarei as minhas estórias beijando os pés de quem por nós passar...
Praia da Galé, 29 de Dezembro de 2006
Etiquetas: Salpicos de mar



2 Comentários:
teste
Passei cá por acaso e gostei! Tenho saudades do mar!
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