Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Karma Nabulsi - Isto é uma tentativa para torpedear as nossas eleições

Mahmoud Abbas declarou ontem: "Deixem as pessoas decidirem por si próprias o que querem". Mas já há um consenso nacional: deve haver eleições na Palestina, não para presidente da Autoridade Palestiniana ou para membros do Conselho Legislativo, mas para o Conselho Nacional Palestiniano, o corpo institucional que forma a base da soberania da Organização da Libertação da Palestina (OLP), único legítimo representante do povo palestiniano. O povo palestiniano já elegeu um conselho legislativo que representa uma parte do seu corpo político. Agora, exige eleições para a totalidade da população palestina.

Quando a Fatá perdeu o poder a favor do Hamás em Janeiro, a Fatá precisou de ponderar os benefícios democráticos que advêm para todos aqueles que perdem o poder numas eleições: a oportunidade para se aproximarem dos seus constituintes, para aprenderem porque perderam e como voltar a ganhar a confiança das pessoas. Em vez disso, a "comunidade internacional" disse à Fatá que esta ainda detinha o poder e que tinha de continuar a desempenhar este papel sob pena de se tornar responsável por abandonar o seu povo ao sofrimento e a um destino ainda mais cruel.

Aquilo que estamos a testemunhar hoje é o resultado de um processo de coerção deliberada, planeado para forçar um povo submetido à ocupação estrangeira a capitular, abdicando dos seus representantes eleitos. Que esta coerção fosse exercida pela força militar ocupante de Israel, apoiada pelos neoconservadores, já se esperava - e motivava a resistência. O que é mais difícil de entender é que esta coerção seja também exercida, de modo tão óbvio, pelo Reino Unido e pela União Europeia - que eram supostos apoiar a Palestina, senão pelos valores da decência, ao menos enquanto signatários da Quarta Convenção de Genebra.

O povo palestiniano, claramente, já se exprimiu: é pelas eleições para o Conselho Nacional; é pelo levantamento do boicote económico a uma autoridade democraticamente eleita; e é pela liberdade e pela independência.


Tradução de:
This is an attempt to overturn our elections
publicado no The Guardian de 19 de Dezembro de 2006

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