Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

Eugénio Rosa versus Manuel Pinho

O papel do gestor é fazer...
o do líder, acertar.

Em Portugal, esta distinção parece ser desconhecida por uma nova classe de políticos saídos directamente dos bancos da ignorância e elevada ao máximo expoente do Estado.
Foi assim com José Sócrates que - coitado - não encontrou tempo para telefonar ao seu correlegionário Vítor Constâncio, tão ocupado estava na campanha eleitoral a prometer baixar os impostos. Não acertou, errou, auto excluíu-se da classe dos líderes. Ou, para ser mais brando: passou a andar à trela dessa eminência parda do FMI, que ostenta - para português ver - o título de Governador do Banco de Portugal. "Vamos lá ver quem manda nesta terra. Só porque ganhou mais de dois milhões de votos e não se ajeita com os telemóveis, não vai armar-se agora em carapau de corrida. O respeitinho é muito bonito. Já lhe digo com quantos paus se faz uma canoa." - deve ter pensado Vitor Constâncio antes de o pôr na ordem.
Seguindo o exemplo do seu mestre, o Senhor Professor Doutor Manuel Pinho, Ministro da Economia e da Inovação (delicioso, este último epíteto politicamente correcto) vem agora defender a necessidade de aumentar o preço da electricidade aos consumidores domésticos, sem mesmo se dar ao trabalho de ler os relatórios. Mas já é doutor mesmo, não é? E essas minudências não lhe tiram o título e, pelos vistos, também não o cargo. Pudera, com semelhante chefe. "Se Sócrates nem telélés sabe usar, havería eu de me aborrecer com relatórios. Ora bem." - deve ter pensado.

O texto de Eugénio Rosa é bem elucidativo. Destaco apenas um parágrafo:

Segundo o Eurostat, entre 1995 e 2006, o preço da electricidade, sem incluir os impostos, aumentou em Portugal +6,6% enquanto o preço médio comunitário (UE15) desceu em -0,7%. Em 2006 o preço da electricidade em Portugal é superior ao preço médio comunitário em 18%. Por países, em 2006, exceptuando o caso da Alemanha em que o preço é superior ao de Portugal em apenas 3%, da Itália (+16%) e de Luxemburgo (+4%), em todos os outros países o preço da electricidade doméstica, sem impostos, é inferior ao preço praticado em Portugal. Em alguns deles a diferença é significativa como sucede na Grécia (-52%), na Espanha (-30%), na França (-32%), na Áustria (-3%), na Finlândia (-40%), na Inglaterra (-28%), na Suécia (-35%), e na Noruega (-38%). É com um preço superior que a EDP obtém lucros escandalosos.

Texto completo em Resistir.info

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1 Comentários:

At 13:28, Blogger José Ferrão disse...

Não é só o preço que é superior;
enquanto o IRS fica pelo mínimo de 20%, e o IRC nunca abaixo dos 25%, esta e outras "grandes" empresas conseguem IRC desde 2%!

 

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