Sexta-feira, Novembro 17, 2006

Tamar Lewin - Ensino de Matemática em questão


Excertos de:
As Math Scores Lag, a New Push for the Basics publicado na edição de 14 de Novembro de 2006 no The New York Times.



Seatle - Pela segunda vez, no espaço de uma geração, os reponsáveis da Educação alteraram a forma de encarar o Ensino de Matemática nas escolas dos Estados Unidos da América. As últimas alterações estão a ser impulsionadas pelo reconhecimento da perda de desempenho dos estudantes em provas internacionais; e também pelos alertas feitos por matemáticos, segundos os quais mais de uma década da denominada Reforma do Ensino de Matemática - os críticos chamam-na Matemática esfarrapada (fuzzy) - estorpiou os estudantes, ao subvalorizar a importância da exercitação básica e da memória face aos méritos de descoberta autónoma da solução dos problemas pelos alunos.

Nesse mesmo período, a insatisfação dos pais com os resultados fez com que um número crescente de famílias pagasse explicações particulares aos seus filhos, ainda que muito jovens. Shalimar Backman, que, através das páginas do New York Times, pressionou o Governo ao formar um grupo de pais intitulado Onde está a Matemática, recorda o momento em que começou a ficar preocupada.

"Quando o meu filho mais velho, um aluno de nota máxima, estava na sexta classe, reparei que ele não fazia ideia, mínima que fosse, da divisão armada (long division)" - disse a Sra Backman - "e fui então à Escola falar com o professor que me respondeu que 'não era preciso porque a divisão armada tolhia a sua criatividade'".

A discussão sobre o que e como deve ser ensinado espalhou-se rapidamente a todo o país depois da publicação, em Setembro último, do relatório do Conselho Nacional dos Professores de Matemática.

Foi um outro relatório do mesmo conselho, redigido em 1989, que influenciou uma geração de professores a deixar os alunos explorar por si próprios a solução dos problemas, a fazer desenhos sobre a Matemática e a usar instrumentos como a máquina de calcular ao mesmo tempo que aprendiam algoritmos.

Mas desta vez o concelho mudou de rumo, e recomendou uma maior concentração de esforços no desenvolvimento das aptidões fundamentais e o termo do modelo abrangente e superficial (mile wide, inch deep) que havia arrastado muitas escolas a leccionar dúzias de tópicos de Matemática em cada ano escolar. Para a quarta classe, por exemplo, o relatório recomenda que que o programa se deva centrar numa "revisão rápida" da multiplicação e da divisão, no cálculo das áreas de figuras geométricas a duas dimensões, e na compreensão das decimais.

...


Grupos espontâneos (grass-roots) estão a emergir em muitas cidades, agitando a premência do regresso às competências fundamentais. Muitos apontam o comportamento da Califórnia como exemplo. Este Estado adoptou a Reforma do Ensino de Matemática no início dos anos 90, mas abandonou-o em grande parte no fim dessa década, uma reviravolta que conduziu a um sucesso dos resultados em Matemática.

O nível das preocupações expressas em Seatle pode não ser vulgar, mas há agora um desconforto enorme sobre a Matemática esfarrapada na Costa Este, no Mayne, em Massachussets, na Pensilvânea e até Nova Jersey começa a fazer barulho" disse R. James Milgram, um professor da Universidade de Stanford. "Há uma compreensão cada vez mais alargada de que o Ensino de Matemática nos Estados Unidos é um completo desastre".

...


Um porta-voz do Departamento de Educação da cidade de Nova York afirmou que a Matemática do dia-a-dia exige aptidões tanto do Ensino tradicional como da Reforma, juntando conhecimentos de algoritmos fundamentais com formulações conceptuais. Anunciou que uma pesquisa recentemente efectuada pelo Departamento Federal da Educação detectou que o programa (de Nova York) era um dos poucos a nível Nacional onde havia provas dos efeitos positivos nos resultados alcançados pelos estudantes de Matemática.

O nervosismo deveu-se em parte à percepção de que, em tempos de globalização crescente, as aptidões em Matemática dos estudantes dos Estados Unidos, simplesmente, não crescem: alunos dos Estados Unidos do oitavo ano estão muito mais mal preparados que os de Singapura, Coreia do Sul, Hong Kong, Taiwan, Japão e alhures nas tendências dos Estudos de Matemática e Ciências, um teste internacional.

O descontentamento dos pais aqui no Estado de Washington intensificou-se após o anúncio em Setembro de que apenas 51% dos alunos do décimo ano passaram a parte de Matemática dos exames de avaliação oficiais, bem menos do que aquelas que mostraram competência na leitura e na escrita.

Etiquetas: ,

0 Comentários:

Enviar um comentário

<< Home


hits: