Sexta-feira, Outubro 06, 2006

Satélites GPS e órbita geoestacionária


Imagem: http://cimss.ssec.wisc.edu/satmet/modules/sat_basics/geo_orbit.html


Imagem: http://www.colorado.edu/geography/gcraft/notes/gps/gif/orbits.gif



A História regista um tempo dilatado entre a descoberta de uma lei da Natureza e os progressos técnicos que resultam da sua aplicação. Esta precedência da Ciência sobre a Técnica devería ser respeitada no desenvolvimento dos currículos escolares. Os alunos não deveríam ser confrontados com formulações tecnicas para as quais não foram desenvolvidas as bases. Uma coisa é, por exemplo, um jovem ouvir falar da existência de naves espaciais, outra é discernir sobre os requisitos de equilíbrio orbital dos satélites. Por alguma razão que me escapa, a ordem histórica da aquisição dos conhecimentos foi invertida no programa de Física em Portugal. Para ilustrar o facto, vejamos as considerações que foram feitas àcerca de satélites GPS em dois livros de Física adoptados em diversas escolas:


No primeiro pode ler-se, na página 31:
"A posição dos satélites do sistema GPS (Global Positioning System), deve ser conhecida com grande exactidão, pois é a partir desses satélites geoestacionários que se determina a posição de um observador..." (sublinhado meu)

No segundo título, na página 8, pode ler-se, a propósito do sistema GPS, o seguinte:
Este sistema é formado por:
- um conjunto de pelo menos 24 satélites artificiais geoestacionários (mantêm a sua distância ao centro da Terra e a posição relativamente a um ponto da superfície da terra, bem conhecido), com órbitas conhecidas..."
(sublinhado meu).

Aparentemente, a Lei da Gravitação Universal de Newton é apresentada também no 11º ano, depois de se falar nos satélites GPS e, no pior dos casos, como as transcrições documentam, depois de terem sido induzidas idéias que contradizem a Física. Tal a pressa que a confusão começa a instalar-se mesmo entre alguns autores.

É certo que se pode consultar as horas sem se conhecer o mecanismo interno dos relógios. Mas, se o nível de conhecimento que se pretende do GPS se situa apenas no da utilização, mais vale, de início, não aprofundar a caracterização das órbitas. Após a apresentação da Lei de Gravitação; após a apresentação da expressão da força centrífuga; e após ter sido respeitado um prazo para assimilação dos conhecimentos, só então fará sentido tecer considerações sobre órbitas geoestacionárias. Para se concluir rapidamente que os satélites GPS não estão nesta categoria (não estão à distância certa, nem as suas órbitas se situam no plano equatorial da Terra).

Para os interessados:

1 Comentários:

At 16:04, Blogger XXX disse...

Os satélistes do sitema GPS não são geostacionários!

 

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