Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Jean-Guy Bruneau - Petróleo, a verdadeira parada da Guerra no Iraque


11 de Abril de 2003
"A parada da Guerra no Iraque é só uma e é económica."


"Ao memo tempo que o conflito armado desencadeado pelo governo americano alimenta ódios no Iraque, o Mundo interroga-se sobre quem assumirá o controlo das imensas reservas de petróleo que jazem no sub-solo iraquiano logo que os canhões parem de troar.

Para Michel Chossudowsky, professor de economia da Universidade de Otawa e especialista em globalização da economia, é manifesto que esta dinâmica explica a razão de ser da intervenção americana. Na sua opinião, o objectivo último da iniciativa guerreira de Georges W. Bush é substituir Saddam Hussein por um regime muito mais disponível aos olhos dos interesses anglo-americanos.

Nesta perspectiva, é preciso entender bem o potencial de petróleo iraquiano, acentua o professor Chossudowsky. As reservas do Iraque constituem cerca de 11 por cento das reservas mundiais. São cinco vezes superiores às reservas dos Estados Unidos. Sem contar que a extracção é muito menos cara no Iraque.

Ora, as grandes sociedades americanas, especialmente a Exon Mobil, a Chevron Texaco e a ConocoPhilips foram todas mantidas à distância destes imensos recursos pela lei americana Iraq Sanctions Act, decretada na sequência da Guerra do Golfo de 1991. Durante esse tempo, as firmas franco-belgas, russas e mesmo chinesas consolidaram as suas posições no Iraque.

Foram as mais activas, planearam e negociaram enormes investimentos com o regime de Bagdad. Quiseram assim ocupar a sua posição e esperavam impacientemente pelo levantamento das sanções da ONU para completarem os trabalhos iniciados e recolherem enfim o fruto dos seus esforços. E que recolha abundante tería sido.

Segundo o professor Chossudowsky, esta era uma perspectiva que o complexo militar-industrial-político americano não podia tolerar. Washington optou então pela acção militar para controlar os esforços de reconstrução e de exploração das reservas de petróleo iraquianas.

Nesta dinâmica é de prever, segundo este autor, que os grandes campos petrolíferos sejam privatizados e colocados em hasta pública para benefício das grandes empresas ocidentais, encontrando-se as firmas americanas desta vez em posição dominante. Além disso, o regime pós-Saddam poderá muito bem não reconhecer a legitimidade dos acordos estabelecidos durante o período das sanções, estima o Sr Chossudovsky.

Autor de um livro de choque sobre a Guerra e a mundialização - A Verdade por detrás do 11 de Setembro - o professor Chossudovsky sustenta que a Guerra desencadeada pela Casa Branca viola as leis internacionais, assim como a Carta das Nações Unidas e os acordos de Nuremberga.

Enfim, receia que o conflito se alargue ao conjunto da região, sendo o Irão - na sua opinião - a etapa seguinte mais plausível dos esforços de Washington para assegurar o domínio da exploração dos gigantescos recursos de petróleo nesta parte do Mundo."

Traduzido do original da Universidade de Otawa, em francês.


Para uma actualização deste tema, ver:


http://www.alternet.org/waroniraq/43045
16 de Outubro de 2006
Bush's Petro-Cartel Almost Has Iraq's Oil

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