A Finlândia – a "coqueluche" do nosso governo



Excertos de uma entrevista feita ao Ministro da Educação da Finlândia (Antti Kalliomaki) pelo D.N:

- Na Finlândia todos têm direito a uma educação básica gratuita que inclui o equipamento necessário e os livros escolares, transporte, se for preciso, serviços de saúde e refeições.

- Na sociedade de informação, a inclusão exige que todos os cidadãos tenham acesso aos meios técnicos e às capacidades para os usar. Só assim será permitido a todos os indivíduos o desenvolvimento dos seus potenciais ao máximo.

- No nosso país as autoridades locais são responsáveis por quase toda a educação pré-primária, básica e secundária.
Cerca de 2/3 do ensino vocacional e profissional é garantido pelas autoridades locais ou cooperativas de educação municipais.

- A autorização para abrir novas escolas depende do M.E. Os municípios têm um dever estatutário de fornecer educação pré-primária e básica. Também são responsáveis pelo ensino secundário e formação profissional. E são os agentes educativos que decidem as questões práticas como o recrutamento de professores.

- A Direcção Nacional de Educação é responsável por desenvolver e implementar os currículos nos níveis básicos e secundário. No entanto, muitas questões são decididas pelos próprios agentes educativos, ou seja, as autoridades locais e seus parceiros.

- O ensino pré-primário e básico, assim como o secundário geral e vocacional são geridos por objectivos estabelecidos na legislação e pelos currículos nacionais. A educação geral e formação vocacional são co-financiadas pelo governo e pelas autoridades locais.

- Na Finlândia, todas as crianças têm direito a uma educação competente e de alta qualidade e a um ambiente de estudo seguro e confortável. Um sistema de educação flexível e uma segurança educacional básica garantem equidade e consistência nos resultados.
É importante encontrar um equilíbrio entre os trabalhos da escola e o descanso.
A comunicação entre os professores e os pais dá frutos.

- Todas as crianças têm o direito de participar na educação pré-primária voluntária durante o ano que precede a entrada para a escolaridade obrigatória. A educação pré-primária é gratuita. As autoridades locais têm a obrigação de a fornecer, mas a participaçãodas crianças é voluntária e decidida pelos pais. Cerca de 96% das crianças frequentam-na.

- A rápida expansão da inserção das mulheres no mercado de trabalho nos anos sessenta teve uma relação simbiótica com o desenvolvimento do Estado-Providência finlandês, que foi um dos seus principais empregadores. Esta política baseou-se em construir sistemas de educação e de saúde públicos e unidades de cuidados de dia-a-dia, para todos os residentes no país, garantindo-lhes o acesso gratuito ou muito barato a estes serviços.

- A gestão da escola é da responsabilidade do reitor e do vice-reitor. O reitor deve ter formação de professor.

- A escolaridade obrigatória e o direito a receber educação pré-primária e básica gratuita são garantidos por lei, assim como a formação noutras áreas que levem à educação qualificada, incluindo a pós-graduação universitária.

- Os nossos pontos fortes são a nossa economia competitiva, uma baixa taxa de corrupção, uma administração pública eficiente e um ambiente saudável.

- Têm sido feitos esforços para dotar todos os grupos populacionais e regiões do país de oportunidades iguais.

- Em cada ano, um total de 147 mil estudantes frequentam a via de ensino vocacional e formação profissional. Na Filândia, esta via é cada vez mais popular.
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Da visita de Sócrates à Finlândia, segundo ele, para se inteirar do modelo educativo finlândês, o que ficou foi que os professores trabalhavam lá cerca de 50 horas por semana, aliás, ideia sublinhada por Jorge Sampaio, então presidente da República.

Mas que, por exemplo, a escolaridade básica é verdadeiramente gratuita, desde os livros às refeições, para todos, incluindo cuidados de saúde, sem discriminação, eu não me recordo de ele o ter realçado.

Que não havia propinas nem no Secundário nem no Superior também não passou.

O que ficou, sim, foi que os professores são os responsáveis pelo estado actual da educação no nosso país.

Sócrates é fingido porque sabe muito bem que a realidade actual é resultado de muitas variáveis, umas controláveis outras não.

O que de facto pretende é arranjar bodes-expiatórios para poder desviar as atenções do que anda a fazer este governo que é simplesmente dar cabo do que resta de uma saúde e ensino públicos que não eram satisfatórios mas que ainda serviam muita gente sem possibilidades económicas. Agora é cada vez mais difícil o acesso às necessidades básicas, quer do ensino quer da saúde.

Queixam-se que a taxa de natalidade é baixa, no nosso país. E que medidas promove Sócrates para a fazer crescer? Quantos casais jovens, com 2 ou 3 filhos e trabalhando ambos, suportam prestações de casa e infantários privados? Restringe o acesso aos infantários do Estado antes dos 5 anos e, mesmo depois, obriga a pagar as refeições!

Andamos a brincar aos governos? Aos países? Não!

Todas as decisões tomadas visam favorecer o capitalismo-feroz que já existia nos países, dantes designados do 3º mundo e agora, em vias de desenvolvimento, por ser politicamente mais correcto. Em Portugal, tal como nesses outros países, está a cavar-se uma vala cada vez mais funda que separa os poderosos dos descamisados.

Hoje é dia de luta no seio dos professores, vamos ficar sem receber 2 dias, para quem fizer greve.
Quero deixar aqui expresso que vou aproveitar estes 2 dias para me recompôr fisicamente e para preparar materiais de trabalho. É que, ao contrário do que o 1º ministro pensa, nós professores trabalhamos para além das horas lectivas, fora do local de trabalho, e como desde há 1 ano para cá estou com o dobro das horas que tinha para dar à escola e continuo a fazer o que fazia em casa, se calhar os professores portugueses estão a fazer mais do que 50 h por semana.

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