Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Maria de Lurdes Rodrigues versus Aristóteles


"Os professores serão avaliados e haverá, no máximo, cinco (?) professores com classificação de BOM por escola".



Ora aqui está uma bela prosa pré-aristotélica. O pensador grego ensinou-nos a cuidar do rigor dos conceitos - ou categorias - como a melhor defesa para evitarmos as falácias. Eis que, quase dois mil e quatrocentos anos depois, e em plena revolução contra a iliteracia, o nosso Ministério da Educação recupera maravilhosamente o nível de estruturação dos conhecimentos desses recuados tempos...

Aplicando o enunciado deste Ministério segundo o método de Aristóteles a um campo diferente, o dos Jogos Olímpicos, diríamos com igual razão: que só haverá, no máximo três concorrentes aos saltos em altura que passarão por cima da fasquia dos dois metros (o equivalente a um BOM salto). Ou três atletas da corrida de cem metros que ultrapassarão a marca dos dez segundos. E por aí fora. Brilhante. De que estaremos a falar? Do mérito individual dos atletas ou do número de lugares no pódio?

O mínimo de objectividade exigível a um avaliador é o de não conhecer o resultado de antemão. E qualquer falha nos critérios objectivos da avaliação só favorece os critérios subjectivos.
Este problema não se colocaría se, em vez de avaliação, estivéssemos a falar em designação, como já foi prática corrente em tempos não muito afastados. Os nossos representantes eleitos, libertando-se do espartilho do significado das palavras e confundindo poder de decretar com poder descricionário sobre a Língua Portuguesa, vêm dar nova vida aos fénix do passado. Até onde vai a cobardia! Poderiam, ao menos, usar a palavra certa. Não seríam mais simpáticos, mas pelo menos mais dignos de respeito.

Quanto aos professores, mais uma vez: - Paciência! Ainda não será desta que os cuidados de isenção que colocam na avaliação dos seus alunos venham a ser replicados na sua própria avaliação. Mª de Lurdes dixit.

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