Quarta-feira, Agosto 30, 2006

Portugal e os seus medos


Sintra

Portugal tem mesmo medo de existir, como diz José Gil no seu livro ( Relógio D'Agua Editores, 2004 ).
De tal modo que inventa situações, muda frequentemente de atitudes, leis, opiniões, receando sempre o julgamento de alguém que eu gostava de saber quem.

Por exemplo, agora os seus mandantes inventaram que quem quiser seguir medicina, engenharias ou mesmo química e física não precisa de ter estas disciplinas no 12º ano; pode optar por outras como por exemplo, geologia ou psicologia. Será que "estas mentes que brilham" sabem o que estão a fazer? Atingirão o que vai suceder? Terão dúvidas que muitos alunos, talvez a maior parte, seguirão o facilitismo e escolherão o caminho menos pedregoso, evitando aquelas disciplinas que tanta falta fazem para os cursos nomeados? Perceberão que daqui vai resultar ainda mais insucesso nas faculdades?

Os portugueses fazem leis, gostam de leis, reformulam leis, despejam leis, gostam de mostrar que pensam; ( será que julgam estar a mostrar trabalho? ); fazem assim, mesmo que daí nada resulte, mesmo que as pessoas vejam que é só papel, papel, ideias escritas em papel, mesmo que se tenha consciência que esse torpel de ideias está a ser pago por nós todos.
Esquecem-se que, depois de feitas as leis, é preciso fazê-las cumprir!

É o caso de existir uma lei que obriga os donos de cães a apanhar os seus dejectos, nas ruas, sob pena de pagarem uma multa que vai de 5 a 50 contos, creio eu... isto em moeda antiga.
Alguém já viu um polícia a passar multas por desobediência a essa lei?
Alguém já conseguiu seguir sempre em frente, no seu caminho, sem ter que se desviar de grandes ou pequenas manifestações mal-cheirosas que pululam pelos passeios, pelas relvas?
( Podem não acreditar mas eu assisti a uma manifestação de cerca de 30 donos de cão, o ano passado, a exigir o relvado do bairro para os seus filhos adoptivos canídeos! )

E que tal lembrar a nossa estrela de momento - a ministra da educação - que de tão embrenhada que anda em responsabilizar os professores pelos desaires da educação, e não só, se esquece de fazer inspecções às escolas a todos os níveis?
Eu aconselhava-a a ir ver o que os jovens andam a comer nos bares das escolas; o dinheiro dos almoços gastos nos matraquilhos, nas máquinas de sandes e coca-colas (...porque não há pessoal...), os fritos, as maioneses, a comida pré-feita, carregada de conservantes, os bolos, em detrimento das sandes, nos bares. Os seus pais pensam que os filhos estão a almoçar uma refeição completa na cantina... e parte do dinheiro que lhes dão para esse fim vai essencialmente para os matraquilhos, para as latas de refrigerantes, para embelezar a escola mesmo que eles fiquem menos bonitos... ( É bom lembrar que cada lata de coca-cola tem cerca de 4 pacotes de açúcar dissolvido )!

Já agora, porque é proibido fumar nas escolas, dentro delas, seria melhor colocar lá pessoal capaz de impedir que isso acontecesse nos intervalos... e porque não fechar os professores fumantes numa sala ( tipo sala de chuto - que está na moda) onde pudessem aspirar os sublimes fluxos ( fluidos positivos ), partículas coloidais, enormes, que favorecem a perda de capacidades cognitivas para não falar noutras sobejamente conhecidas, possibilitando , deste modo, que colegas ainda saudáveis ou já nem tanto, conseguissem seguir o seu rumo, calmamente, já tão cheio de escolhos, evitando conflitos entre eles?
Porque é que há conselhos executivos incapazes de colocarem uma porta a separá-los, os fumadores dos não, embora digam que sim, que o vão fazer, há anos?
Quais os interesses por trás disto tudo?

Porque não pôr os encarregados de educação a avaliar estas situações objectivas, observáveis, ao invés de irem avaliar professores que desconhecem completamente e dos quais apenas sabem o que os filhos, subjectivamente , lhes transmitem? Seria muito mais simples, eficaz e benéfico.

É proibido fumar nos restaurantes e bares... mas onde?

Portugal é um país que faz sorrir, pela sua ingenuidade, é um país de fingir que sabe, de fingir que faz, que receia que digam mal dele pelo que faz, pelo que apresenta, neste momento.
É um país cujos governantes e governados têm muito cuidado com o que vestem e como vão aparecer ao público;que pensam no impacto que terá a sua apresentação para obterem os fins desejados. Quase com 900 anos de história parece um adolescente desajeitado, tímido mas que pode ser igualmente agressivo.

Esquece-se que o importante é o que é, não o que parece.

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