Quarta-feira, Julho 19, 2006

A arte de nada dizer - Os Exames Nacionais

Não resisto vir aqui escrever um pouco depois de ter ouvido a Ministra da Educação falar no noticiário das 20 h , na SiC, hoje mesmo.

Depois de algumas perguntas mal direccionadas pela jornalista, que não é especialista nos assuntos abordados, fiquei pasmada, é o termo, por não ter percebido nada das justificações que a senhora estava a pretender divulgar pela TV, antes de ir à Assembleia da República prestar esclarecimentos. Atrevi-me a perguntar à pessoa com quem jantava se tinha compreendido alguma coisa, podia eu ter estado distraída, que o sou.
- Não, fiquei na mesma - respondeu-me.

Há pessoas, que as conheço, que têm uma grande capacidade em jogar com as palavras, mexer com elas, misturá-las, dizer coisas bonitas, outras feias e, depois de tudo dito, espremido por nós, resulta uma ausência de um qualquer raciocínio lógico, a falta de um fio à meada que nos leve à essência da mensagem.

Nestes casos:

- ou a pessoa brinca com as palavras, divertindo-se, retirando para si própria um prazer isolado, mal partilhado, não contribuíndo com nada para uma sociedade que se pretende melhor;

- ou faz o mesmo que atrás disse, com desprezo pelos outros, gozando sempre com as situações com que se depara, para se autopromover num exercício narcísico, de quem tem muitos problemas mal resolvidos - continuando a não contribuir para mudar o status quo;

- ou, que deve ser o caso do que ouvi, fala, fala, compara, refere cartas não divulgadas, mistura disciplinas com programas antigo e novo, fala na organização, e tudo isto intencionalmente, numa tentativa de baralhar qualquer tentativa de raciocínio, porque não é capaz de reconhecer erros cometidos pelo M.E. no que diz respeito aos Exames Nacionais.

A Senhora Ministra não foi capaz de esclarecer como o exame de Química do 12º ano foi demasiado extenso, não foi capaz de dizer que o seu ministério não divulgou previamente exames-tipo, como era habitual, as chamadas provas modelo que eram um indicativo do trabalho que tinha que ser feito ao longo do ano para se ficar habilitado para as provas finais.

Também não referiu que os livros adoptados para o programa novo chegaram no final do ano lectivo anterior às escolas para serem escolhidos.

Não disse que os professores daquela disciplina tiveram que contar só com eles e os colegas para se esclarecerem sobre assuntos novos, nomeadamente os compósitos - o que até não é difícil- mas cuja abordagem engloba um emaranhado de matérias, um modo diferente de organizar os conhecimentos a serem adquiridos e que a carga laboratorial era extensa.

Que o tempo escasseia para cumprir programas. Que se um professor adoece 2 dias fica desfavorecido relativamente aos colegas e que a legislação não permite a sua substituição.
Que 28 alunos numa turma deste tipo é um número que não favorece um ensino individualizado.
Não disse que se cada grupo disciplinar tivesse uma bolsa de professores (só um?!) era mais fácil substituir um que tivesse ficado rouco, no trânsito, preso no elevador...
Não disse que não quer investir nisso, que não quer gastar dinheiro, pagando a esse professor, para o país recolher frutos mais tarde.

E como não sabe justificar-se, lembrou-se da Física do 12º ano, que embora tivesse tido mais 1 valor , em média, a nível nacional, para calar bocas, resolve incluí-la na factura a pagar e dá 2ª oportunidade às 2 disciplinas. Em anos anteriores a Física tinha normalmente médias negativas mais vezes do que a Química.

- Se eu não percebi a sua mensagem, que sou da área, como há-de Vossa Excelência conseguir transmitir o que pretende, tentando fugir ao assunto e não sabendo onde pôr o(s) pé(s) em águas escuras, lodosas, tão escorregadias, já que não são do seu domínio?

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