Os acasos em Ciência - a cura do paludismo
Está publicado um pequeno livro, de Victor Gil, pela GRADIVA júnior : "33 Casos de Acaso em Ciência".
Fácil de ler por gente jovem e não jovem.
Nele são focados vários exemplos de coisas úteis que usamos e que foram desenvolvidas graças aos acasos que ocorreram no decurso de várias investigações que, muitas vezes, nem sequer estavam direccionadas para elas:
desde os aditivos da gasolina, passando pela penicilina, Raios X, a insulina, o hélio, a borracha vulcanizada, o iodo, o primeiro plástico, a ureia, ... até à pilha eléctrica...
desde os aditivos da gasolina, passando pela penicilina, Raios X, a insulina, o hélio, a borracha vulcanizada, o iodo, o primeiro plástico, a ureia, ... até à pilha eléctrica...
..." A Ciência avança graças à curiosidade intelectual, imaginação criadora, método, trabalho árduo e apaixonante, preocupação com alguns dos problemas que afligem a Sociedade... mas, também, através de fracassos, erros, sorte, imprevisto... e, até, acaso.
Porém, nas palavras de Pasteur: "no domínio da observação, o acaso só favorece espíritos preparados" ".
Gostei particularmente da história sobre a cura da malária ou paludismo. Talvez porque durante anos, 1 vez por semana, a minha mãe me obrigava a tomar 1 comprimido de daraprim(?) para prevenir o paludismo, isto em terras africanas, na altura. Mesmo assim, experimentei os seus suores, a sua febre, as suas diarreias.
Gostei particularmente da história sobre a cura da malária ou paludismo. Talvez porque durante anos, 1 vez por semana, a minha mãe me obrigava a tomar 1 comprimido de daraprim(?) para prevenir o paludismo, isto em terras africanas, na altura. Mesmo assim, experimentei os seus suores, a sua febre, as suas diarreias.
Ora, sobre o quinino, conta uma lenda que, nos Andes, na América do Sul, um índio, ardendo em febre, acabou por se perder numa floresta. Procurando o caminho certo acabou por encontrar um charco de onde bebeu sofregamente. A água estava muito amarga devido às cascas de quina-quina, uma das árvores que rodeavam o pequeno lago. Esta árvore era considerada venenosa. No entanto, a sua sede era tanta que não resistiu e bebeu-a. Para sua surpresa, porém, em vez de morrer, ficou curado da febre.
A partir deste caso que se tornou conhecido, os índios dos Andes passaram a curar a doença com infusões de casca de quina-quina.
Entretanto, missionários jesuítas, princípios do séc. XVII, ao tomarem conhecimento destes factos, lá por aquelas cordilheiras, trouxeram aquela informação para a Europa, a partir da qual se difundiu o conhecimento, tendo-se iniciado plantações de quina-quina noutras partes do mundo, nomeadamente na Ásia.
Em 1820 dois químicos franceses (Pelletier e Caventou) extraíram da casca de quina-quina a substância - quinina ou quinino - responsável pela cura da doença, tendo -se chegado à sua fórmula química em 1908.
Em resultado das 1ª e 2ª guerras mundiais desenvolveu-se a síntese de novos produtos contra a malária. Entretanto, em 1944, pela 1ª vez, os químicos fabricaram a mesma substância em laboratórios, passando a quinina a ser fabricada artificialmente e, consequentemente, tornou-se mais económica e acessível aos doentes com paludismo ou malária.
Passaram, assim, 300 anos desde as infusões de quina-quina até ao comprimido que se compra na farmácia que permitiu prolongar a vida a muitos milhões de pessoas entretanto afectadas pelo plasmodium, transmitido por determinada variedade de mosquito, introduzido nos seus corpos através de uma simples picadela (de mosquito) .

Molécula da QUININA



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