Sexta-feira, Maio 16, 2008

Horst Köhler - Colapso do sistema financeiro

O sistema financeiro mundial está à beira do colapso.Horst Köhler
Não se trata de uma previsão catastrófica de Lenine ou de Álvaro Cunhal, tão pouco de um homem suspeito de cultivar simpatias comunistas, ou até de esquerda - ainda que moderada. Trata-se, nem mais nem menos, de uma declaração de Horst Köhler, actual Presidente da República Alemã, em cujo currículo constam cargos como:
  • Presidente do Partido Cristão Democrata Alemão CDU,
  • Presidente do Fundo Monetário Internacional,
  • Ministro alemão das Finanças,
  • Presidente da Associação Alemã dos Bancos de Aforro,
  • Presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento.

Outras declarações de Horst Köhler:
  • Os mercados foram incapazes de resolver o problema por si próprios.
  • O mundo financeiro desgraçou-se sozinho.
  • Gostava de ouvir um mea culpa alto e bom som da parte dos bancos .
  • Os honorários dos gestores financeiros são bizarramente elevados.
  • A complexidade excessiva dos produtos financeiros e a possiblidade de multiplicar desmesuradamente o capital à custa de pequenos investimentos iniciais deram origem ao monstro.


Fonte: Der Spiegel

Etiquetas: , , ,

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Américo Tavares - A moeda contrafeita

Como instrumento de análise, a balança de braços iguais produz três resultados possíveis entre o que é colocado no prato da esquerda e no da direita:
  1. Mais pesado que...
  2. Menos pesado que...
  3. Tão pesado como...
Claude Shannon diria o mesmo de outro modo:
A máxima informação disponível através de uma operação com uma balança de pratos iguais é log(3)/log(2)=1.58496 bits ou, de forma exacta, 1 unidade ternária.
Para se isolar um caso entre 27 equiprováveis precisamos obter uma informação equivalente a log(27)/log(2)=4.7548 bits ou 3 unidades ternárias. Claude Shannon apenas nos chama a atenção para o grau de incerteza que está inerente a qualquer problema, logo a quantidade de informação que é necessário adquirir por qualquer processo, usando qualquer instrumento de análise. Nada adianta sobre o método de resolução, nem sequer garante que ele exista ou que seja praticável. Assim, no problema da moeda contrafeita, se é fácil concluir que o número de operações excede o mínimo necessário - o limite de Shannon - fica totalmente em aberto saber-se como chegar lá.
Porém, Shannon diz-nos algo mais:
Para que a balança produza o máximo de informação, é necessário que a medida incida sobre casos equiprováveis.
A solução do problema apresentada por Luísa Novo, retirando conclusões úteis das duas condições de desiquilíbrio da balança e da condição de equilíbrio e dividindo em cada etapa a suspeita de modo equitativo entre os dois grupos usados nos pratos e um terceiro que ficava de fora, satisfaz as duas condições de Shannon, constituindo por isso uma solução optimizada (nas condições enunciadas, o número de operações com a balança ou pesagens para reduzir a incerteza inicial a zero obtem-se dividindo esta pela informação ganha em cada operação: 4.7548 bits/1.58496 bits=3).


Blog Problemas e Teoremas de Américo Tavares

Américo Tavares dá vida a um blog - Problemas e/ou Teoremas - dedicado à matemática. Introduziu um elemento de complexidade que me escapou: a moeda contrafeita poderia ser mais pesada que as genuinas em ouro. Logo, o grau de incerteza inicial viria aumentado em 1 bit ( 5.754887 em vez de 4.754887), sendo este bit suplementar devido ao facto de não possuirmos a informação sobre a desigualdade dos pesos ser por excesso ou por defeito. Como o poder resolvente da balança é o mesmo e excede este bit suplementar, teoricamente bastará mais uma operação para se isolar a moeda falsa. Mas, para que isso seja possível, é necessário que os grupos de moedas sobre os quais se opera distribuam entre si a suspeita de conterem a moeda falsa de forma aproximadamente equitativa. A solução é um exercício muito interessante de engenharia e pode ser consultada no blog do autor.

PS: Teoricamente, pode-se imaginar uma moeda contrafeita por deposição electrolítica de uma camada externa de ouro num núcleo de volfrâmio. Como este metal possui a mesma massa volúmica que o ouro, fica aberta uma terceira hipótese, a de que a moeda contrafeita tenha o mesmo peso que as genuinas. O problema, colocado nestes termos, deixa de poder ser resolvido com recurso a uma balança.

Etiquetas: ,

Quarta-feira, Maio 14, 2008

George Soros - As duas funções dos especuladores financeiros

George Soros, o segundo especulador de maior sucesso no mundo, quando fala de finanças, sabe o que diz. É muito curioso que não partilhe, de forma alguma, a confiança no papel auto-regulador e socialmente benéfico da mão invisível keynesiana que ainda constitui a bandeira ideológica dos liberais dos nossos dias. (AF)


George SorosOs participantes racionais desempenham uma função dupla. Por um lado, procuram compreender a situação. Chamo a esta a função congnitiva. Por outro lado, tentam alterar a situação. Chamo a esta a função manipuladora. As duas funções produzem efeitos contrários e, em determinadas circunstâncias, podem interferir mutuamente. Chamo a esta a interferência reflexiva.


George Soros in Soros: Financial Crisis Stems from 'Super-Bubble',
publicado por NPR em 12 de Maio de 2008

Etiquetas: ,

China - Terramoto de 12 de Maio

Terramoto China, 12 de Maio de 2008

A maior parte da actividade sísmica na Ásia Central e Oriental deve-se à pressão constante que a placa tectónica indiana exerce sobre a placa eurasiática.

Notícia completa em Earth Observatory

Etiquetas: ,

Terça-feira, Maio 13, 2008

A serenata do rouxinol

Oiço muitas vezes os trinados diferentes do rouxinol, especialmente ao anoitecer e mesmo durante a noite, quando estou no campo. É dos sons mais relaxantes que se escutam naquelas circunstâncias.
Recebi este pps por e-mail e desconheço-lhe a autoria mas a beleza das imagens valem alguns minutos de paragem assim como os sons registados. E é bom parar para readquirir forças consumidas durante o dia.
É só clicar:

nachtegalen-serenade.pps


Também se pode ouvir Andre Rieu numa interpretação mais completa

Etiquetas: , ,

Francisco - Formação dos professores

96 Mandamentos
Aprox. 2 euros/mandamento
Uma pechincha
Aproveite

(AF)




O Instituto Nacional de Administração, é um instituto público, com autonomia científica, administrativa, financeira (esta suspensa em 2003) e patrimonial. A sua lei orgânica, Decreto-Lei nº85/2007, de 29 de Março, estabelece-lhe como missão: “contribuir, através da formação, da investigação científica e da assessoria técnica, para a modernização da Administração Pública e para a actualização dos seus funcionários”
É neste Instituto Público que podemos encontrar, várias acções de formação para Avaliação de Pessoal Docente.
Os Destinatários são Membros de Conselhos Executivos, Coordenadores, Docentes, e outras pessoas envolvidas no processo de avaliação do pessoal docente.
Formador(es): Dr. Jorge Fatal Nogueira.
Nº máximo participantes: 25
Preço (privadas/públicas): 200€ / 200€
O Dr. Jorge Fatal é formador do INA e no seu currículo NADA consta na área da Supervisão mas anda a "vender" às escolas um sistema de avaliação baseado em condutas profissionais.

Jorge Fatal Nogueira:
  • Licenciatura em Engenharia de Sistemas Decisionais (Faculdade de Engenharia de Sistemas de Lisboa, 1985).
  • Pós-graduação em Marketing - Curso Aberto de Marketing para Executivos (Universidade Católica Portuguesa, 1995)
  • MBA (Insead França, 2000).
  • Director de projectos em várias organizações internacionais.
  • Expert em Liderança e Gestão de Equipas, Gestão do Tempo, Motivação e Gestão da Mudança.
  • Consultor e formador em diversas empresas internacionais.


E o programa em curso faz correr milhares de euros. É só fazer as contas, como dizia o "outro". Parece um verdadeiro NEGÓCIO fomentado e no seio de uma instituição pública, como pública é a escola e o ministério que a tutela.

Seminário Avaliação do Desempenho do Pessoal Docente
Semide, 9 e 10 de Maio, Agrupamento Escolas Ferrer Correia
INA, Oeiras, 12 e 13 de Maio - esgotado
Coimbra, 22 e 23 de Maio,
Agrupamento Escolas Martim de Freitas
INA, Oeiras, 6 e 7 de Junho - esgotado
INA, Oeiras, 11 e 12 de Junho - esgotado
INA, Oeiras, 20 e 21 de Junho - esgotado
INA, Oeiras, 30 de Junho e 1 de Julho
Póvoa do Varzim, 4 a 5 de Julho
Portel, 2 e 3 Julho


O "sistema" que o Dr. Jorge Fatal anda a "vender", consiste no enunciado de 96 "condutas" e mesmo assim, diz ele, que ainda funciona melhor se as condutas forem 12o, (com ponderações que a escola decide) de resposta Sim/Não.
E o que é GRAVE é que, para que "este sistema" seja usado, a escola tem de assinar um termo de compromisso de confidencialidade na base de um secretismo e confidencialidade inadmissíveis e inqualificáveis que vão contra todos os princípios avaliativos.
Vejamos então, as referidas Condutas, algumas delas perfeitamente incríveis e já denunciadas no Terrear de Matias Alves:


CONDUTAS


  1. É pontual.
  2. Disponibiliza-se para actividades que ultrapassam obrigações horárias/profissionais.
  3. Cumpre prazos.
  4. Quando trabalha em equipa é um elemento participativo e não conflituoso.
  5. Zela e preserva material/equipamento escolar.
  6. Proporciona ambiente calmo, propício à aprendizagem.
  7. Numa reunião tem uma atitude de colaboração e de entreajuda.
  8. Manifesta opinião própria e construtiva relativamente a assuntos debatidos.
  9. Não gera mau ambiente no local de trabalho.
  10. Evita banalidades e perda de tempo.
  11. É receptivo à mudança.
  12. Dá sugestões / tem opiniões críticas para melhoria de serviços.
  13. Faz formação de acordo com o projecto educativo da escola (1/3).
  14. Faz formação na sua área específica (2/3).
  15. Disponibiliza-se para apoiar os alunos após as horas lectivas, sempre que considere necessário.
  16. Regista e avalia o cumprimento das actividades planificadas.
  17. Estabelece planos de acção para corrigir desvios.
  18. Apoia o desenvolvimento de métodos de aprendizagem / estudo.
  19. Estabelece e faz respeitar regras de convivência, colaboração e respeito.
  20. Aplica os critérios de avaliação aprovados pelos órgãos competentes.
  21. Cumpre o horário - substituir parâmetros de assiduidade.
  22. Mantém a calma perante uma situação de tensão com alunos, professores ou pais.
  23. Mantém limpo e arrumado o local de trabalho.
  24. Oferece-se para ajudar em outras áreas que não a sua quando é necessário.
  25. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da necessidade de urgência no serviço.
  26. Conhece o PE da escola, a missão e a visão da escola.
  27. Utiliza correctamente os equipamentos.
  28. Verifica o estado dos equipamentos antes e depois da sua utilização.
  29. Zela pelo cumprimento do regulamento interno da escola.
  30. É educado e cordial com todos os elementos da comunidade escolar.
  31. Perante uma situação determinada, apresenta diferentes alternativas como solução.
  32. Comunica por escrito ao conselho executivo sugestões a implementar (por ex:com base na análise de melhores práticas de outras escolas ou organizações) que ajudam a garantir um serviço de mais qualidade.
  33. Mantém a confidencialidade e discrição perante determinadas situações.
  34. Recolhe diferentes opiniões ou sugestões procurando criar sinergias com os seus colegas com a mesma função.
  35. Colabora / age no sentido de proporcionar um bom clima de escola.
  36. Resolve situações de conflito sem ter que solicitar ajuda extra.
  37. Assiste a aulas de colegas sempre que considera útil.
  38. Permite que outros colegas assistam a aulas suas.
  39. Actua de forma rápida e eficaz, de acordo com critérios predefinidos, dentro das acções previstas nos processos de trabalho em que está envolvido.
  40. Age com assertividade e discernimento, encontrando as soluções mais pertinentes para cada situação, apresentando-as ao respectivo responsável hierárquico.
  41. Analisa problemas e toma decisões relativas a rotinas de trabalho, não necessitando de apoio superior.
  42. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e reformula as actividades para atingir os resultados de forma mais eficaz.
  43. Cumpre prazos.
  44. Transmite a sua opinião de forma racional e controlada.
  45. É receptivo à mudança e envolve os seus pares para melhorar a sua área, a dos outros e a escola no seu todo, não se opondo às questões.
  46. Quando é chamado a desenvolver outras actividades, encara sempre a situação de uma forma positiva, predispondo-se para actuar.
  47. Revela empenho no desenvolvimento das tarefas, realizando-as antecipadamente.
  48. Toma decisões e assume a responsabilidade não jogando a culpa dos problemas para cima de outros.
  49. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
  50. Gere com eficiência todos os meios existentes na escola.
  51. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
  52. Propõe actividades com vista à modernização e desenvolvimento da comunidade onde se integra (extravasando os limites da escola).
  53. Supera as expectativas do grupo com contribuições activas de desenvolvimento, motivando estes a seguir o exemplo, oferecendo ajuda e dando opiniões construtivas (não havendo rejeições das suas contribuições).
  54. Assiste a eventos desenvolvidos por qualquer tipo de entidade.
  55. Está ao corrente de situações e dificuldades de outras escolas desenvolvendo soluções na escola como prevenção.
  56. Perante uma dificuldade na escola conversa com outros colegas que possam partilhar situações similares e sugere determinadas acções.
  57. Traz à escola pessoas de assuntos de interesse partilhando experiências.
  58. Desenvolve planos de acção para a implementação de melhores práticas pesquisadas e adequadas à escola.
  59. Fomenta o networking interno e externo através de comunicações e actividades.
  60. Analisa continuamente as tendências dos outros e procura implementar as melhores práticas para encontrar as melhores soluções.
  61. Aplica a formação recebida nas tarefas que lhe são atribuídas.
  62. Aproveita ideias de outras áreas ou de organizações semelhantes e adapta-as à sua.
  63. Avalia sistematicamente os resultados que se propõe atingir e reformula as tarefas, no sentido da melhoria, ou seja, faz alterações ao previsto, para atingir os resultados de forma mais eficaz.
  64. Consegue sinergias com outras áreas da organização no sentido de facilitar ou agilizar o serviço.
  65. Identifica situações que fogem do padrão do controle previsto e apresenta soluções ao Coordenador no sentido de evitar possíveis problemas.
  66. Organiza e coordena actividades consideradas por outras áreas como melhores práticas e incorpora-as com vista à superação dos resultados previamente estabelecidos, apresentando propostas ao Coordenador para superação de objectivos através de um plano de aula.
  67. Orienta e planeia acções com uma visão partilhada que potencia a missão e os valores da organização.
  68. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos dentro da organização.
  69. Partilha técnicas, ferramentas e conhecimentos fora da organização, por exemplo fazendo apresentações em congressos, palestras, etc.
  70. Partilha técnicas, ideias e recursos melhorando o trabalho em equipa através de aconselhamentos aos seus colaboradores.
  71. Predispõe-se para ajudar as pessoas aquando da necessidade de urgência no serviço.
  72. Procura todas as oportunidades de formação de forma a alargar conhecimentos específicos relativos à área da sua intervenção.
  73. Sempre que verifica alguma anomalia mesmo que não seja da sua área sugere soluções simples mas concretas.
  74. Contribui para a mudança planeando melhores práticas e tomando iniciativas, com base em projectos de autonomia e liderança, medindo o grau de satisfação de pelo menos 75% dos seus colaboradores através de pesquisas de satisfação rápidas.
  75. Apresenta por escrito propostas de soluções novas de problemas fora da sua área de trabalho e de actuação.
  76. Cria acções novas e motivadoras para a manutenção da disciplina na sala.
  77. Cria e implementa novas formas e metodologias que favorecem a participação dos alunos na realização da aula.
  78. Cria ferramentas de controle da sua actividade ou de outros dentro da organização que sejam simples mas resolvam os problemas de acompanhamento.
  79. Cria instrumentos que proporcionam auto avaliação dos alunos com rigor e objectividade.
  80. Cria novos métodos de estudo para os alunos, demonstrando a sua eficácia.
  81. Cria novos sistemas ou metodologias nas turmas que estimulam o processo de ensino-aprendizagem.
  82. Cria processos e critérios de avaliação e partilha com os avaliados, obtendo consenso e validação.
  83. Desenvolve recursos inovadores para a realização de actividades lectivas.
  84. É capaz de desenhar condutas observáveis dos colegas avaliados de forma simples e objectiva.
  85. Envolve-se em projectos comunitários inovadores por iniciativa própria.
  86. Estabelece mecanismos novos de seguimento ou acompanhamentos da implementação dos planos de melhoria negociados com os avaliados.
  87. Executa um projecto de liderança inovador e consegue implementar ideias revolucionárias e estratégicas, envolve as pessoas nesses projectos não deixando de fora ninguém.
  88. Inova com ideias jamais testadas em algum lado e prova que a organização poderá beneficiar disso.
  89. O professor cria e implementa processos claros e reconhecidos pelos alunos para facilitar a sua disponibilidade e apoio aos mesmos.
  90. Preocupa-se no desenho e implementação de novas ideias criadas por ele que ajudem a escola na redução do abandono escolar.
  91. Propõe novas actividades com vista à modernização e desenvolvimento da comunidade onde se integra.
  92. Quando apresenta os problemas apresenta também hipóteses de várias soluções criadas por ele, devidamente estudadas e analisadas e dá a sua opinião de como o problema pode ser resolvido da melhor forma.
  93. Sugere novas estratégias para a resolução de problemas.
  94. Sugere novos critérios que permitam fazer uma análise da planificação e estratégias de ensino para a adaptação ao desenvolvimento das actividades lectivas.
  95. Sugere soluções inovadoras, antecipando a ocorrência de problemas.
  96. Utiliza os resultados da avaliação dos alunos como base para criar novas formas de actividade lectiva que permitam desenvolver com eficácia e competência as atitudes dos alunos.



Apêndice (às 20:30h do dia 11 de Maio)

Alertado pelo Paulo G. de ameaças do Dr. Fatal a diversos Blogs que tenham publicado aquilo a que ele parece chamar de "ferramentas" sobre as quais também não sei se tem alguns direitos autorais, quero reafirmar que estas 96 condutas não são de facto minhas, nem as quero rigorosamente para nada. Supostamente serão dele, do dr. Fatal, pelo menos parece que foi isso que fez passar aos seus formandos nas referidas acções onde cada um pagou a módica quantia de 200 euros. Ele a mim (ainda) nada me disse nem escreveu pelo que mantenho algumas reservas sobre as eventuais ameaças.
Mesmo assim, espero e faço mesmo questão que nenhum colega use estas tretas. Tem mais proveito, como se vê o dr. Fatal que qualquer um dos colegas. Noventa e seis (96) condutas? É de doidos, já nem questiono os conteúdos.
Aqui deixo também, para que conste, a menção quanto ao copyright, não sei quem possa estar interessado na "ferramenta" do dr. Fatal.

Francisco in O NEGÓCIO DA AVALIAÇÃO DE PROFESSORES COM O BENEPLÁCITO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
publicado por PSITACÍDEO em 8 de Maio de 2008

Etiquetas: ,

Madya Kandimba


Neves e Sousa, "Viuva da Quissama"
Imagem: Malambas


Madya Kandimba

Em 1875 surge-nos uma composição, que tem por título Madya Kandimba (Maria Coelhinho). É uma das primeiras peças de coro de Masemba recolhida por Óscar Ribas e que ele nos apresenta no seu livro Misoso III, (1964).
A peça conta-nos a história de um europeu de amores com a sua empregada africana. A mulher, ao tomar conhecimento deste romance, de pistola em punho, põe-se à procura da empregada, que foge de barco. Pela sua estrutura melódica e poética, somos levados a crer que Madya Kandimba é já um produto definido em termos de simbiose cultural. Outras peças mais recentes, têm a mesma estrutura, o que nos leva a crer que a génese da música suburbana é já anterior a 1875.

in Consulado Geral de Angola no Brasil



Duo Ouro Negro e Sivuca

No ano seguinte (1959, Sivuca) retorna à Europa, residindo em Lisboa e Paris até 1964. Em Portugal, como produtor, gera o primeiro disco de música Angolana, Africaníssimo, Sivuca/Duo Ouro Negro.

Duo Ouro NegroSivuca
in Som Barato


A canção


Duo Ouro Negro e Sivuca:

Maria Candimba


Algumas palavras


“...Madya Kandimba wakambe o sonyi
Madya Kandimba tirivida
Wabiti bhu mwelu dya sinyiola...”

Incontrolavelmente, meu corpo ginga e treme sob a imposição do ritmo, exatamente como acontecia outrora...

“...Malê, malê
Male, malê
Ituxi ngana
Ya kidiwanu!...”

A volta no tempo, aos anos de juventude irresponsável, das noites perdidas com cerveja, suor e ritmo nos ambientes pesadamente carregados com uma mistura de fumaça de cigarro e kangonha, katinga e lavanda, em recintos mal iluminados como convinha...

“...Sinyiola wakwata pixitola
Wandala kulosa Madya Kandimba!
Madya Kandimba watele o kulenga...
Kandimba walenge mu vapolo ê...”

A rebita tomou conta e só fisicamente eu permaneço atado ao presente...


in Mukandas do Nelsinho

Etiquetas: ,

Isabel Guerreiro - Música e Matemática

Retirado de A Educação do meu Umbigo, com a devida vénia. (AF)
Musica e Matematica

A música, essa aliada esquecida da matemática


A pretexto de uma conferência com especialistas internacionais para debater o insucesso na disciplina de Matemática em Portugal, a Ministra da Educação veio chamar a atenção para o “passivo enorme” nesta área. Atribuídas (mais uma vez) as culpas aos professores, estando presentemente alguns milhares a receber formação contínua nesta matéria; lançado um Plano de Acção para a Matemática, aumentando a carga horária na disciplina, resta‐nos prever quais serão as recomendações que resultarão de mais esta conferência.

Porventura os sucessivos responsáveis pela pasta da educação em Portugal – eles próprios fruto de uma sociedade com fraquíssima cultura musical – não têm sido sensíveis ao papel fundamental que a música pode e deve ter na formação integral do indivíduo, não só ao nível da sensibilidade estética e do desenvolvimento emocional mas também ao nível da estruturação do pensamento lógico e do raciocínio matemático/geométrico, estimulando a concentração, disciplinando a actividade de grupo, favorecendo a comunicação, a cooperação e a entreajuda – tudo isto num clima de grande criatividade e franco prazer.

No entanto, desde Pitágoras – que para além de um contributo fundamental para a Matemática e a Geometria, também estabeleceu as bases da Teoria Musical – têm vindo a comprovar‐se as muito estreitas relações entre a Música e a Matemática.

Na verdade, vários estudos revelam que a maioria dos jovens que aprendem música, para além de serem alunos mais criativos em todas as áreas, também obtêm bons resultados em Matemática, sendo certo que, para alem de um papel muito positivo no ensino de crianças disléxicas e autistas, a Música é, de facto, aquela aliada que, como por encanto, leva qualquer criança a fazer a ponte entre o concreto e o abstracto, levando‐a a descobrir novas formas de comunicação e linguagem e ajudando‐a assim a apreender a lógica e a simbólica da Matemática.

A Educação Musical consta, de facto, do currículo da escola em Portugal desde 1971, ano da reforma de Veiga Simão que introduziu alterações significativas neste campo. No entanto, ao contrário do que sucede em muitos outros países, para lá de se iniciar já numa idade tardia, a Educação Musical tem estado confinada ao 2º Ciclo do ensino básico – no 3º Ciclo tem expressão muitíssimo limitada – e, a partir da última reforma curricular, a sua carga horária sofreu mesmo uma redução substancial de 45 m, passando a dispor apenas de 90 m semanais.

Foi feita alguma avaliação destas reformas?

Ainda a este propósito, é importante também referir que uma manifesta falta de instrumentos disponíveis nas salas de aula – e o facto de muitos dos que existem já estarem anificados – o que limita, muitas vezes, os professores a um ensino elementar da prática de flauta, impedindo, dessa forma, os alunos de adquirirem as “competências” (irrealistas) previstas para a disciplina pelo próprio Ministério da Educação.

A nível do 1º Ciclo, a recente introdução do ensino da Música, embora louvável, mais não fez do que pôr em prática um aspecto que, previsto no currículo, geralmente se não cumpria, sendo que os professores, recrutados em empresas privadas, trabalham em condições muito discutíveis.

Como se tudo isto não bastasse, mais recentemente ainda, sob a capa de uma alegada “Democratização do Ensino Artístico” o Governo decidiu acabar com o chamado regime de ensino supletivo, que permitia a frequência de disciplinas de formação especializada nos Conservatórios, a par das de formação geral numa escola à sua escolha.

Promovida pela Unesco, teve lugar em Lisboa, em 2006, a 1ª Conferência Mundial de Educação Artística, da qual resultaram orientações importantes no domínio da educação artística. A sua aplicabilidade foi debatida no ano seguinte na Conferência Nacional de Educação Artística. Que repercussões têm tido eventos como estes no ensino da Música em Portugal?

O Ministério da Educação insiste agora na avaliação dos professores mas não deveria ser o próprio Ministério a ser objecto de avaliação, entre outras coisas, pela sua manifesta desatenção relativamente ao ensino da Música?

Ainda vamos a tempo de investir numa formação musical de qualidade desde o jardim de infância, da qual a Matemática, bem como as outras áreas possam vir a beneficiar e de que possa resultar um maior equilíbrio emocional dos jovens.

Sigamos então as tão apregoadas “boas práticas”: sigamos o exemplo da Finlândia onde os pais podem mandar os filhos para escolas de música patrocinadas pelo estado desde tenra idade; sigamos o exemplo da própria Venezuela (retratado numa reportagem transmitida na televisão há dias), onde a fundação «El Sistema» recorre à música para reabilitar, ensinar e proteger crianças de meios desfavorecidos, prevenindo comportamentos criminosos...!

Leibniz (filósofo e matemático alemão) afirmou: Musica est exercitium arithmeticae occultum nescientis se numerare animi (A música é o exercício oculto de matemática do espírito que não se apercebe que calcula).

Os fracos resultados dos estudantes portugueses na disciplina de matemática estarão, seguramente, na proporção exacta do desprezo que tem sido dado ao ensino da Música na Escola Pública.

Isabel Guerreiro
Professora de Educação Musical do Ensino Público
Monte Estoril


Fonte: Opiniões - Isabel Guerreiro
publicado por A Educação do meu Umbigo em 12 de Maio de 2008

Etiquetas: , ,

Domingo, Maio 11, 2008

Petite fleur - de Sidney Bechet


A letra, em francês, que Charles Aznavour cantou:

J'ai caché
mieux que partout ailleurs
au jardin de mon coeur
une petite fleur
cette fleur
plus jolie qu'un bouquet
elle garde en secret
tout mes rèves d'enfant
l'amour de mes parents
et tout ces clairs matins
fait d'heureux souvenirs
lointains.

Quand la vie
par moment me trahie
tu reste mon bonheur
petite fleur.

Sur mes vingt ans
je m'arrete un moment
pour respirer
ce parfum que j'ai tant
tu fleuriras toujours
au grand jardin d'amour
petite fleur.

Prend ce present
que j'ai toujours gardé
meme a vingt ans
je ne l'avais jamais donné
n'ai pas peur
cueuillir au fond d'un coeur
une petite fleur
jamais ne meurt.


O autor desta melodia.
(1897 - 1997)
Nova Orleães

Etiquetas: ,

Birmânia - Ciclone Nargis

Ciclone Nargis

Foto de cima - Myanmar (Birmânia), a 7 de Maio de 2008. Escombros, árvores desaparecidas, campos de arroz inundados.

Foto de baixo - Myanmar (Birmânia), a 3 de Maio de 2007.

Fonte: Cyclone Nargis Floods Burma (Myanmar)

Etiquetas: , ,


hits: